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Quer se tornar vegetariano? Médico dá dicas importantes antes de cortar a carne do prato

Especialista ressalta que é possível substituir a carne por feijão, lentilha e soja.

Quer se tornar vegetariano? Médico dá dicas importantes antes de cortar a carne do prato
Apesar de o vegetarianismo poder ser adotado por diferentes razões, é importante entender como funciona o "regime alimentar" para driblar eventuais prejuízos à saúde. Especialista no assunto, o médico Eric Slywicth, diretor do departamento de Medicina e Nutrição da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), desmistifica alguns tópicos. Confira a seguir!

R7: O que é o vegetarianismo?

Eric Slywicth: Vegetarianismo é um modo de vida que consiste em não se alimentar de forma a causar a morte de animais. Assim, o vegetariano não consome carnes de qualquer tipo, sejam elas vermelhas ou brancas. Há também os vegetarianos que consomem ovos e laticínios, sendo chamados de ovolactovegetarianos. E também há os que excluem completamente esses derivados animais, sendo chamados vegetarianos estritos.

Candidato à presidência tem planos de incentivar o vegetarianismo no Brasil

Candidato à presidência tem planos de incentivar o vegetarianismo no Brasil
Em uma entrevista recente à Folha de S. Paulo, gravada em vídeo, o candidato à presidência pelo Partido Verde (PV), Eduardo Jorge, falou sobre pontos polêmicos de suas diretrizes de governo. Além da descriminalização do aborto e da legalização da maconha regulada pelo Estado, falou sobre os planos que tem para incentivar a alimentação vegetariana no Brasil, caso seja eleito.

“A humanidade evoluiu a tal ponto – a técnica agrícula, os estudos nutricionais – que já dispensa o homem de ter que ficar sacrificando, torturando as outras espécies como sempre fez ao longo da sua história. É a nossa posição – e não é uma posição impositiva, é uma posição do exemplo – que a gente tem que caminhar para uma dieta vegetariana. Ela é mais humana, do ponto de vista da relação com as outras espécies, ela protege a saúde dos humanos e ela é ambientalmente mais adequada.” – disse.

Pesquisa aponta que o vegetarianismo está em ascensão na Suécia

Pesquisa aponta que o vegetarianismo está em ascensão na Suécia
A Suécia é conhecida por uma variedade de motivos. O país tem a terceira menor taxa de mortalidade infantil, está em quarto lugar em termos de competitividade, e é uma das nações mais desenvolvidas do mundo. Agora, a região é conhecida por outra coisa: um monte de vegetarianos. As informações são do Ecorazzi e The Independent.

Nova pesquisa aponta que o vegetarianismo e o veganismo estão em ascensão na Suécia, com 10% da população optando por refeições sem carne. O que demonstra um aumento de 4% nos últimos 5 anos.

A pesquisa, realizada pela agência de consultoria Demoskop, foi encomendada pelo grupo ativista Animal Rights Sweden. O estudo foi realizado entre fevereiro e março deste ano e entrevistou 1.000 pessoas, com idades a partir de 15 anos. A alimentação é mais popular entre pessoas de 15-34 anos de idade, e também nas cidades de Estocolmo e Skåne.

Conheça sete razões pelas quais os vegetarianos vivem mais

Pressão sanguínea baixa, bom humor e baixo risco de câncer são algumas das vantagens, segundo os pesquisadores

Conheça sete razões pelas quais os vegetarianos vivem mais
Um novo estudo publicado pela publicação médica JAMA Internal Medicine analisou as informações de sete estudos clínicos e outros 32 publicados entre os anos de 1900 e 2013, onde os participantes mantiveram uma dieta vegetariana e descobriram que tinham menos pressão sanguínea comparado a quem come carne.

Confira abaixo sete razões para quais os vegetarianos podem viver mais:

1. Pressão sanguínea baixa: no último estudo, pesquisadores descobriram que não apenas os vegetarianos têm baixa pressão sanguínea na média, mas que estas dietas podem ser usadas para baixar a pressão em pessoas que precisem de uma intervenção.

“Qualquer pessoa pode viver toda vida sendo vegetariana”

Segundo o médico Julio Cesar Acosta Navarro, o vegetarianismo é um termo amplo, que envolve aspectos de índole filosófica, religiosa e atualmente até ambiental

“Qualquer pessoa pode viver toda vida sendo vegetariana”
O médico peruano Julio Cesar Acosta Navarro concedeu a entrevista que segue por telefone à IHU On-Line refletindo sobre de que forma a dieta vegetariana interfere na saúde humana. Além de falar dos benefícios do vegetarianismo, ele alerta, no entanto, que “a vitamina B12 seria o ‘calcanhar de Aquiles’ da dieta vegetariana estrita. Porque as outras dietas que não são veganas, como a ovo-lacto-vegetariana ou a lacto-vegetariana, por ter fontes totais de todos os nutrientes, não teriam nenhum risco”.

Navarro explica que “a dieta vegetariana, em comparação com a dieta onívora, possui nutrientes de diferentes valores. É possível que essa diferença, a longo prazo, possa efetivamente e através de diversos mecanismos, influenciar a longevidade e o envelhecimento”. E acrescenta que se a sociedade atual se convertesse em uma sociedade predominantemente ou totalmente vegetariana, isso poderia, a longo prazo, “modificar as questões genética, fisiológica e talvez até anatômica”.

Por falta de informação, pessoas ainda têm medo de praticar o vegetarianismo

Por George Guimarães

Pessoas ainda têm medo de praticar o vegetarianismo
Então você decidiu tornar-se vegetariano, mas ainda falta dar aquele último passo. Talvez você ainda consuma algum peixe ou ave "só de vez em quando", ou talvez você ainda coma carnes todos os dias, mas esteja pensando tão seriamente e com tanta convicção sobre o assunto que você já se considera um vegetariano (o que obviamente é um engano). Pensando nisso, o que falta para você fazer a transição final? O que impede as pessoas de darem o último passo em direção ao vegetarianismo, mesmo aquelas que já entenderam, em todas as esferas, que a dieta vegetariana é a melhor escolha?

Depoimento de um médico vegetariano

Depoimento de um medico vegetariano
Dr. Eduardo Lima é médico (clínico geral), formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora há 32 anos. Escreveu esse contundente depoimento pessoal quando parou de comer carne, em julho de 2007. Quando solicitado a dar uma entrevista sobre o vegetarianismo e sobre como se tornou um vegetariano, fez questão de que constasse esse “documento” já elaborado. Desde então, mantém-se firme como vegetariano.

Estou com 55 anos. Tenho artrite, pressão alta, cansaço, dor muscular e articular, gota, má digestão, dor de cabeça e irritabilidade. Não bastasse ser médico e conviver com dezenas destas queixas, me vi também envolvido por elas. É a idade, penso eu. Passou dos cinquenta, ninguém aguenta! E assim, como todo cidadão que vai para o trabalho, tomava o ônibus bairro-centro e voltava centro-bairro. Sabem onde moro? No centro. São dois pontos e pronto, cheguei! Mas cadê a coragem, perna, fôlego, disposição para andar oito quadras (mais ou menos 1 Km)?

Palestra aborda inclusão de vegetarianos na sociedade

De acordo com Christian Sabóia, existem cerca de 17 milhões de vegetarianos brasileiros a mais do que os 9% registrados em pesquisas.

O início do segundo dia de palestras do 4º Seminário SVB trouxe à tona um assunto de extrema importância: a inclusão dos vegetarianos na sociedade.

O sócio-fundador e diretor Executivo da Sabóia Tecnologia da Informação, Christian Sabóia, revela que o número de vegetarianos no Brasil é muito maior do que os 9% apresentados em pesquisas. “Cerca de 17 milhões de vegetarianos estão excluídos do foco das grandes indústrias e ações do governo”.

Sabóia ainda revela que o público vegetariano está concentrado nas classes A, B e C, e contesta a exclusão da prática em refeitórios de escolas e empresas, nos hospitais, clínicas, academias e imprensa. “Estes são produtos que atendem a toda população e trazem benefícios a todos”, completa.

Fonte - Publicado em 24.07.2011

Dieta vegetariana pode proteger contra distúrbio intestinal comum

Vegetarianismo: dieta rica em fibras previne diverticuliteA alta ingestão diária de fibras previne a doença diverticular

Seguir uma dieta vegetariana reduz em um terço os riscos da doença diverticular, um distúrbio comum do intestino. De acordo com uma pesquisa publicada na versão online do British Medical Journal, é a alta ingestão de fibras, típica do vegetarianismo, que ajuda a prevenir a doença.

A doença diverticular afeta o intestino grosso ou o cólon e é mais frequente em pacientes idosos. Acredita-se que a condição seja causada por hábitos alimentares, com o baixo consumo de fibras. Entre os sintomas estão cólicas abdominais dolorosas, inchaço, gases, constipação e diarreia.

Na pesquisa, Francesca Crow, da Universidade de Oxford e coordenadora do estudo, analisou dados de 47.033 voluntários. Desses, 15.459 seguiam uma dieta vegetariana. Depois de um acompanhamento de 11 anos, existiam 812 casos de doença diverticular – 806 pacientes deram entrada no hospital e seis morreram. Após considerar fatores como cigarro, álcool e índice de massa corporal (IMC), a equipe chegou à conclusão que os vegetarianos tinham menos riscos de desenvolver a doença.

Descobriu-se ainda que as pessoas que mantinham uma ingestão relativamente alta de fibras (25 gramas por dia ou mais) tinham menos riscos de dar entrada em hospital ou de morrer em função da doença, quando comparados àqueles que comiam pouca fibra (14 gramas por dia ou menos).

“A oportunidade de prevenir a doença diverticular, bem como condições como cancro do cólon reside na modificação da dieta”, dizem os pesquisadores. Eles afirmam ainda que há a necessidade de mais evidências para que um novo guia alimentar seja apresentado à população.

Fonte - Publicado em 20.07.2011

Onda vegetariana

Por questões éticas, ambientais e de saúde, cada vez mais pessoas eliminam a carne de seu cardápio

João Gordo tornou-se vegetariano há 6 anosEnquanto o Pavilhão da Bienal do Ibirapuera se prepara para receber mais de 22 mil visitantes na NaturalTech, única feira internacional de produtos naturais do País, que abre suas portas no dia 21, adeptos da dieta sem carne celebram uma onda de ofertas. Publicações, filmes, restaurantes, serviços, sites e blogs trazem à tona um tema ainda repleto de estigmas e, muitas vezes, alvo de piadas: o vegetarianismo. Ao mesmo tempo, mitos a respeito da alimentação que exclui do cardápio itens de origem animal estão ruindo.

O mais polêmico é o conceito de que o consumo de carne é essencial para a saúde. "Estudos científicos provam que não há nenhum único nutriente essencial que só exista na carne ou que dependa dela para ser bem aproveitado pelo organismo", avisa o paulistano Eric Slywitch, especialista em nutrologia e nutrição clínica.

A notícia é um alívio para vegetarianos que sempre escutaram que sua dieta era deficiente. A proteína animal pode se equivaler, por exemplo, a leguminosas como feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, diz Slywitch, que também é coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira e professor de pós-graduação do Ganep (Grupo de Nutrição Humana). Porém, os vegetarianos costumam cometer um erro grave: substituir carne por ovos e queijos.

Para vegetarianos ou onívoros - aqueles que consomem carne - que desejam melhorar sua alimentação, o médico escreveu dois livros que têm se tornado referência: Alimentação sem Carne e Virei vegetariano, e agora?. O primeiro ensina a obter os nutrientes e como combiná-los de forma segura para otimizar todo o potencial que a alimentação vegetariana pode proporcionar. Já no segundo título, lançado ano passado, Slywitch responde às principais perguntas de adeptos ou não e fala sobre 60 mitos que rondam o tema. "As publicações têm o objetivo de ensinar, sem fazer patrulhamento ideológico", ressalta o especialista em dieta vegetariana, de 36 anos, que parou de consumir alimentos de origem animal na adolescência.

Entre as fontes que tratam do vegetarianismo está o livro recém-lançado A Cozinha Vegetariana, da catarinense Astrid Pfeiffer - que já caminha para a 2ª edição. São 60 receitas sem lactose, quase todas sem glúten e com ingredientes naturais. A nutricionista e Eric Slywitch são casados e, assim como o médico, ela é vegana. Juntos, atendem em sua clínica, uma ampla casa com direito à mini-horta orgânica, na Vila Mariana, zona sul da cidade.

Em um levantamento feito entre 644 pacientes que passaram pela clínica do casal em 2010, mais da metade segue a dieta vegetariana por razão ética, ou seja, em respeito aos animais. Saúde e questões ambientais também entram como justificativas, especialmente a que está diretamente relacionada ao impacto da pecuária. Segundo relatório emitido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), de todas as atividades humanas, a pecuária é a maior responsável por problemas ambientais, principalmente a contaminação de mananciais.

Até "bad boys" como o ex-pugilista Mike Tyson abraçaram a causa. Vegano há quase dois anos, o campeão de boxe - que arrancou um pedaço da orelha de Evander Holyfield numa luta - promoveu em abril uma campanha junto com a ONG Last Chance for Animals (LCA) em prol do vegetarianismo. Em cartazes, foi fotografado beijando uma pomba ao lado da frase: Love animals, don’t eat them (Ame os animais, não os coma).

"Desde que me tornei vegano, os benefícios foram tremendos", testemunhou para a campanha realizada pela LCA. "Tenho mais energia e equilíbrio mental. Eu nunca me senti 100% até que tirei a carne da minha dieta. Agora, não me imagino comendo carne de novo."

O apresentador João Gordo, de 47 anos (foto de capa), que tem um quadro no programa Legendários, exibido pela Rede Record, e é vocalista da banda de metal hardcore Ratos de Porão, se diz aliviado em não compactuar com a matança e crueldade que envolve a indústria da carne. "Eu era o rei do bacon e da feijoada", brinca. "Mas, quando se conhece como tudo é feito, a gente começa a pensar de outro modo."

Casado e pai de dois filhos, ele é o único da família a seguir dieta vegetariana. E conta que, após se submeter à cirurgia de redução de estômago, em 2004, a carne se tornou indigesta. Inspirado em dois integrantes da banda que são veganos, mergulhou no tema. Mas o marco da virada veio um ano depois: "Em um programa que fazia, rolava uma luta no ringue, sempre cheio de gosmas. Um dia misturaram línguas de bois com groselha. Isso revirou meu estômago e vomitei. A partir daí, nunca mais comi bicho."

Documentários e livros também funcionaram como gatilho. João Gordo encerrou de vez seu lado onívoro ao assistir ao vídeo A Carne é Fraca, produzido pelo Instituto Nina Rosa (ONG em prol dos animais) em 2004. De lá para cá, vários outros surgiram no You Tube. Em março, o documentário Carne e Osso foi exibido no festival É tudo Verdade. O filme revela as condições insalubres às quais os empregados de frigoríficos são submetidos.

Muita pesquisa em internet, leitura de livros e revistas especializadas formaram a base do conhecimento da personal trainer Perla Góes, de 34 anos. Ela se programou para se tornar vegetariana ao longo de um ano. Primeiro parou de comer carne vermelha, depois, frango e, finalmente, peixe. "Tinha receio de perder massa muscular por falta de proteína animal", diz.

Com a virada na dieta, há 7 anos, e orientação médica, seu corpo ficou ainda mais definido. E o que é melhor: sem suplementação alimentar de proteína. Além das novas formas, Perla ganhou uma pele mais viçosa e mais disposição física.

Longe do estereótipo que associa vegetarianismo à moçada alternativa está Maria Emília Ascenção Guedes, de 63 anos e há quase 30 adepta da alimentação sem carne. Casada e mãe de cinco filhos, todos seguem a dieta. "Não sei se posso atribuir a isso e ao leite de soja que substituí pelo de vaca, mas passei ilesa pela menopausa."

Sua filha Ana Lúcia, de 35 anos, conta que o interesse das pessoas sobre sua alimentação vegana é grande. "Todos elogiam minha pele", diz ela, que é formada em administração e trabalha no ramo imobiliário.

Já sua irmã, a engenheira Denise, de 29 anos, reclama dos interrogatórios. "A gente vira o centro das atenções", diz. Mas o pior é ouvir que um prato não tem carne porque só foi temperado com bacon ou porque tem pedacinhos de presunto. "Vai explicar que não é bem assim!"

Os diferentes tipos

Ovolactovegetariano: inclui na dieta sem carne itens de origem animal, como ovos e laticínios

Lactovegetariano: não come ovos, mas aceita laticínios

Vegetariano estrito ou vegano: exclui todos os derivados animais do cardápio. Também rejeita vestimentas e produtos de procedência animal ou que foram testados em animais

Crudívoro: só come alimentos crus ou aquecidos no máximo até 24°C, além de alimentos germinados

Vegetariano frugívoro: se alimenta de frutos, cereais, legumes e frutas oleaginosas (nozes, amêndoas, etc)

Por Ciça Vallerio - Fotos: Felipe Araújo

Fonte - Publicado em 08.07.2011

Além das folhas

Lasanha Vegetariana
O vegetarianismo é mais do que uma dieta, é um estilo de vida, garantem os adeptos

Nem só de pão vive o homem. E nem só de carnes. Ou folhas. Adotar uma dieta vegetariana vai muito além da mudança de hábitos alimentares, garantem seus adeptos. Aspectos pessoais, sociais e ambientais muitas vezes são considerados por aqueles que adotam uma vida sem carne. Além de ser uma dieta fácil, saudável e limpa, ainda contribui para reduzir os maus tratos aos animais e protege o meio ambiente. Famosos como Lima Duarte, Rita Lee, Richard Gere e Paul Mc Cartney reforçam o coro a favor do vegetarianismo.

Existem muitos mitos acerca do que é ser vegetariano, mas um deles é verdade. Ser vegetariano é não ingerir carne, de nenhum tipo. Segundo a socióloga, coordenadora da União Vegetariana Internacional e presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Marly Winckler, “o vegetariano é aquele que não come nenhum tipo de carne e nenhum tipo de derivado, como gelatina, presunto e salsicha. Existem vários tipos de vegetarianos, alguns que consomem certos produtos de origem animal, como leite e ovos, e outros que são estritos. Os frugívoros, por exemplo, são vegetarianos que só consomem frutas. Não existe um tipo melhor ou pior, cada um se adequa ao que lhe faz bem”.

Por que ser vegetariano? Segundo a socióloga, o vegetarianismo entra na vida de uma pessoa porque alguma coisa a faz querer privar-se de alimentos de origem animal. “A conscientização a respeito dos maus tratos com os animais quando são abatidos para o nosso consumo é uma questão que leva muitas pessoas a escolherem parar de comer carnes. Outra que muitos consideram é o impacto ambiental que fazendas agropecuárias causam, já que para produzir um quilo de carne são utilizados cerca de 18 mil litros de água. E tem também, lógico, os benefícios para a saúde que o vegetarianismo traz. Pesquisas realizadas comprovaram que vegetarianos têm 50% menos diabetes, 31% menos cardiopatias e até 88% menos câncer de intestino grosso”, alerta Marly.

Mas o vegetarianismo vai muito além das adaptações alimentares. O vegano, por exemplo, é um vegetariano estrito que adota o repúdio aos maus tratos com animais como um verdadeiro estilo de vida. “Eles não realizam nenhuma atividade ou consomem qualquer produto ou serviço que envolva sofrimento animal. Não visitam zoológicos, não usam roupas de lã ou couro e não consomem cosméticos previamente testados em animais. Eles levam a questão animal para o lado pessoal e para todos os aspectos da vida”, conta a socióloga.

Para aqueles que acreditam que a dieta sem carnes restringe a possibilidade de variação dos pratos, melhor pensar duas vezes: ela pode até ampliar a gama de combinações de alimentos. “Esse é um mito muito comum quando as pessoas tentam definir a dieta vegetariana. Ser vegetariano não é só comer folhas. Existem restaurantes vegetarianos que apresentam cardápios extensos e combinações surpreendentes e muito saborosas, além de serem mais saudáveis. Pesquisas revelam que o brasileiro consome sal, açúcar e carne em grande quantidade. E também mostram que 60% estão acima do peso. Isso tudo nos faz pensar sobre o assunto, não?”, argumenta a socióloga.

Quer dizer que alimentos de origem animal são totalmente dispensáveis na nossa dieta? Bom, não é bem assim. “A vitamina B12, essencial para a correta manutenção do nosso organismo, só é encontrada em alimentos de origem animal. Para os vegetarianos estritos, no entanto, isso não chega a ser um problema. Assim como existem alimentos consumidos por todos que são enriquecidos com nutrientes, como é o caso do sal e da farinha, alguns alimentos vegetarianos também podem ser enriquecidos com a B12. No caso de ausência desses alimentos, o vegetariano pode consumir complementos vitamínicos em forma de cápsula”, finaliza Winckler.

Fonte - Por Ilana Ramos - Publicado em 26.05.2011

Vegetarianos sofrem menos com problemas como infarto, diabetes e derrame

Estudo mostra que boa alimentação diminui riscos cardiovasculares

Vegetarianos sofrem menos com problemas como infarto, diabetes e derrame
Os vegetarianos têm 36% menos chances de enfrentar uma doença chamada Síndrome Metabólica, que é a porta de entrada para doenças cardíacas, diabetes e derrame. É o que aponta um estudo realizado na Universidade Loma Linda, nos Estados Unidos.

A Síndrome Metabólica, também chamada síndrome de resistência à insulina, inclui um conjunto de problemas de saúde: nível de triglicerídeos baixo, baixo nível de colesterol HDL (o bom), pressão alta, resistência à ação da insulina (substância necessária para transformar açúcar em energia), nível alto de glicose.

O vegetarianismo e o veganismo são os primeiros passos para a sustentabilidade

A carioca Natália Chede é nutricionista e vegana. Formada pela universidade Santa Úrsula no Rio de Janeiro, ela cursa especialização em nutrição clínica funcional.

Sua preocupação com os aspectos éticos, de saúde e, em especial, de sustentabilidade relacionados à alimentação, levaram-na a fazer parte da SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira, onde integra o Departamento de Medicina e Nutrição e coordena o Departamento de Culinária.

Morando atualmente em Curitiba, atende pacientes em programas nutricionais, ministra cursos de culinária e palestras em diversos eventos, além de ser uma das idealizadoras da primeira Feira Vegetariana de rua do país. Mas ela faz mais do que só promover o veganismo. Ela pratica a sustentabilidade pois entende que é possível ser sustentável e se alimentar sem exploração animal, com reduzido impacto ambiental e de forma saudável.

A cozinha e a área de serviço do apartamento da nutricionista são exemplos de atitudes sustentáveis e de baixo custo. Lá são cultivadas hortaliças orgânicas, são germinadas sementes, há embalagens e sacolas reutilizáveis para as compras, preferência absoluta por alimentos orgânicos e a mais nova aquisição tecnológica: uma composteira para lixo orgânico, que atualmente já é uma realidade em vários países da Europa e que é fator fundamental para a solução dos resíduos sólidos nos centros urbanos.

Natália desenvolve pesquisas sobre alimentação e sustentabilidade que pretende publicar em livro e fará palestra no 2º Salão Vegetariano de São Paulo. Ela também é presença confirmada entre os palestrantes do 12th International Vegan Festival, que acontecerá na PUC-Rio, entre os dias 22 e 25 de julho deste ano. O evento reunirá grandes nomes da causa vegana do Brasil e do mundo.

Nesta entrevista exclusiva à jornalista Cynthia Schneider, da ANDA, ela fala sobre seu interesse pelo veganismo, a sustentabilidade ambiental e os efeitos da opção alimentar para a saúde humana.


ANDA – Como começou a se interessar pelo veganismo?

Natália Chede – Eu optei pelo vegetarianismo quando li um livro sobre a vida sentimental dos animais. Mas na faculdade de nutrição havia uma pressão enorme para o contrário. Eu fiquei insegura até que comecei a participar de congressos sobre o tema. Fui ao Congresso Mundial de Vegetarianismo em Santa Catarina e depois ao I Congresso Vegetariano em São Paulo, em 2006, onde tomei contato com a SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira. Até este momento o vegetarianismo era uma escolha só minha. Foi a partir destes eventos que eu vi que poderia trabalhar nesta direção. Comecei a fazer contatos com a SVB e virei vegana. Porque chega uma hora em que, se você é vegetariano pelos animais, não tem mais desculpa. É incoerente não se tornar vegano. Depois eu vim para Curitiba, procurei o grupo da SVB, comecei a participar das reuniões e colaborar na realização de atividades para divulgação do vegetarianismo.

ANDA – Como surgiu seu interesse pelo tema veganismo e sustentabilidade?

Natália Chede – Meu interesse maior surgiu quando eu tive contato com a permacultura e com as ideias de agroecologia. Eu já sabia o que era, mas não era algo presente na minha vida. Depois que eu conheci isto, vi que é algo para o nosso dia-a-dia. O discurso comum sobre defender a Amazônia, por exemplo, faz aquela separação entre a pessoa e o meio ambiente. Eu comecei a perceber que o vegetarianismo e o veganismo eram apenas o primeiro passo. Até porque é possível ser vegano e não necessariamente ser sustentável. Ser vegano contribui com uma parte, mas tem muitas outras intervenções que você pode fazer. Eu não digo também que eu faço todas. Eu descobri com a permacultura que o veganismo é apenas um passo. Há toda a questão do lixo, do lixo orgânico, lixo não orgânico, tudo isso. Na verdade o veganismo é uma maneira de viver de forma mais sustentável, mas não é a única.

ANDA – As pessoas estão mais conscientes sobre o impacto do consumo alimentar no meio ambiente?

Natália Chede – Acho que ainda estão muito pouco conscientes na questão da alimentação. As pessoas estão mais conscientes do impacto que a gente faz no meio ambiente, mas ainda dificilmente relacionam isto com a alimentação. A gente sempre vê alguém comentando sobre meio ambiente, sobre aquecimento global, mas é muito difícil alguém comentar sobre os hábitos alimentares. E isto é algo que as pessoas têm que mudar primeiro, porque é algo que a gente faz todo dia, três vezes por dia. A alimentação envolve muita coisa, que vai desde o que você come até o destino que você dá ao lixo. As pessoas não prestam muita atenção na cadeia do alimento, como ele chega até a mesa, eu não vejo muito esta consciência não. O que está melhorando um pouco é na questão da saúde, há uma preocupação maior do impacto da questão alimentar, mas não na relação entre alimentação e meio ambiente. Esta é justamente a proposta que faço com a minha pesquisa: como alguém pode ter um corpo saudável se contribui para algo que está destruindo e adoecendo o planeta?

ANDA – O que as pessoas podem ou devem fazer para diminuir o impacto ambiental da alimentação?

Natália Chede – Basicamente a pessoa deve ter uma alimentação vegana. Mas se você tem uma alimentação vegana e só se alimenta de produtos industrializados que geram lixo, e muito lixo contaminado inclusive, além de fortalecer as monoculturas, também não estará sendo sustentável. É importante consumir alimentos orgânicos, reduzir o consumo de produtos industrializados, consumir o máximo possível de produtos orgânicos e locais. Além disso, é importante saber aproveitar bem os alimentos todos, como a casca de banana. Ser responsável com a variedade de alimentos que se come também é um caminho para a sustentabilidade. A mania de comer uma quantidade imensa de produtos diferentes na mesma refeição gera um desperdício enorme. A gente precisa ter uma variedade na alimentação, mas ao longo dos dias, não tudo no mesmo prato, na mesma refeição.

ANDA – Por que alguns médicos e nutricionistas resistem à adoção de uma dieta vegetariana estrita? Há necessidades nutricionais humanas da manutenção da exploração animal para a alimentação?

Natália Chede – Na verdade isso é uma coisa que eu ainda não consegui entender. A informação existe e está disponível. Se eles pesquisarem vão encontrar, porque não tem restrição de informação sobre o assunto. Eu acho que o problema é cultural. As pessoas simplesmente não se interessam em estudar. Geralmente quem é vegetariano é por algum motivo. Quem não é não tem comprometimento maior com sua forma de consumo. Uma vez eu participei de um debate numa rádio universitária e tinha um pessoal acompanhando a entrevista do lado de fora e que podia fazer perguntas. Um garoto disse o seguinte: “Vocês vegetarianos são uns hipócritas. Falam em defender um animal, mas comem lá a alface, a planta”. Eu disse o seguinte: “A gente respeita todas as formas de vida, mas você tem que entender que não é a mesma coisa”. Perguntei se ele tinha um animal de estimação e ele tinha um cachorro. Acrescentei: “Olha, em vez de criar um cachorro, porque você não cria uma alface? É a mesma coisa. Quando você chegar em casa a alface vai te amar, vai querer brincar com você”. Aí todo mundo que achava que era a mesma coisa reconheceu, nessa hora, que não é a mesma coisa. A pessoa é capaz de achar que feira de mudinhas de alface é como feira de adoção de animais…

ANDA – Há evidências e comprovações de problemas causados à saúde humana quanto ao consumo de leite e ovos?

Natália Chede – Não há restrição alguma à dieta vegetariana, com exceção da vitamina B12. E esta não é uma questão que está relacionada ao veganismo. Está relacionada ao nosso estilo de vida. A bactéria que produz a B12 vive no solo, e por esta razão os animais têm B12: porque eles comem as bactérias do solo. Daí produzem B12 no intestino, que estará presente nas fezes. O estilo de vida que as pessoas têm, sem acesso ao alimento, favorece a carência da B12. O alimento está lá no mercado, é esterilizado, a gente chega em casa e esteriliza de novo, não há mais contato com as bactérias. O problema não é o veganismo em si. O ser humano pode ser vegano. Só que o estilo de vida complica. Aí uma solução moderna para um problema moderno é a suplementação. E isto depende da pessoa. Tem gente que precisa da suplementação, tem gente que não precisa. Fora esta questão da B12, não existe nada que tenha que vir do reino animal que tenha de compor a alimentação. Sobre a questão da alimentação infantil, não precisa nem estudar, basta observar. Como povos como os indianos estão vivos? E a gente vê muito ainda a recomendação de médicos sobre o leite. Há muitas evidências e comprovações de prejuízos à saúde humana sobre o consumo de leite. E isto só do ponto de vista nutricional, sem considerar a questão óbvia de que o leite de outros animais não é um leite da nossa espécie. Hoje, a maioria das pessoas já tem algum grau de intolerância à lactose, pois não é um alimento adequado. Hoje em dia tem até evidências mostrando a introdução precoce do leite de vaca na alimentação com o desenvolvimento do diabetes tipo 1 em crianças. Muitos artigos científicos tratam deste tema. E isto acontece porque a proteína do leite é alergênica. O corpo do bebê não está adaptado para esta proteína, que é uma proteína muito grande, até molecularmente. Então o organismo passa a atacar esse elemento estranho. As células do pâncreas, que produzem a insulina, têm uma similaridade com esta proteína do leite. E aí o organismo passa a atacar até o próprio pâncreas, que produz insulina, e acaba por desencadear o diabetes. Quanto aos ovos, tirando a ética de campo, o grande problema é a contaminação por químicos e antibióticos. O ovo orgânico não faz mal nenhum à saúde. A associação com o colesterol é bobagem porque 70% é produzido no próprio organismo. Mas, claro, revendo uma postura ética, não devemos esquecer que um ovo é o óvulo da galinha.

ANDA – Uma dieta livre de ingredientes animais (carne, leite e ovos) pode ser adotada por qualquer pessoa, independentemente da idade?

Natália Chede – Sim, com certeza. Desde a gestação à velhice, passando por atletas. No site da ADA – Associação Dietética Americana, é possível encontrar diversos pareceres, um deles específico sobre a dieta vegetariana. Este documento mostra que a dieta é adequada em todos os ciclos da vida para a saúde. O departamento técnico da SVB fundamenta-se muito neste parecer. É ridículo um médico dizer que uma pessoa precisa comer carne. Eu não tenho mais nem vontade de discutir esta questão. Como pode tanta gente que vive sem comer carne e alguém dizer que é necessária? Não é.

ANDA – Quais as vantagens para a saúde de uma dieta vegana em comparação com a dieta onívora?

Natália Chede – A dieta vegetariana é muito mais saudável, sem gorduras saturadas, tem muito mais fibras, além de muito mais antioxidantes, que você só encontra em vegetais. Quem opta por consumir carne ou leite, está deixando de comer algum alimento vegetal que daria um aporte de antioxidantes muito maior. A maioria das doenças é causada, direta ou indiretamente, pela falta destes componentes no organismo. O leite é responsável ainda por problemas alérgicos e respiratórios. Eu tenho um grande exemplo disso no consultório. A maioria dos meus pacientes com rinite alérgica são grandes consumidores de leite. Doenças como a artrite também estão relacionadas com o consumo de laticínios e gorduras animais, que são gorduras inflamatórias, ao contrário das gorduras vegetais. Os problemas de saúde que mais matam atualmente são as doenças cardiovasculares, o câncer, o diabetes. Tudo isto é deflagrado pela alimentação rica em ingredientes animais. Nem tem mais o que discutir isso. Veja o próprio caso da obesidade. Qual é o médico que vai recomendar comer menos vegetais?

ANDA – Qual sua perspectiva com relação à tomada de consciência das pessoas sobre alimentação e sustentabilidade?

Natália Chede – As pessoas querem coisas para si próprias e para o mundo, mas não agem de acordo. As pessoas são violentas nas suas relações, se alimentam de forma violenta. Dou um exemplo sobre o que acontece com muitos ambientalistas hoje. Querem defender a Amazônia, mas comem a carne que vem da Amazônia. As pessoas ainda esperam que a solução venha de fora. Precisam parar de olhar para o próprio umbigo e fazer tudo só para o seu próprio bem. Hoje mesmo eu ouvi uma referência de uma pessoa dizendo: “Olha só o que eu fiz!”. Na minha cabeça veio logo uma imagem de uma onda imensa e alguém lá de cima falando: “Olha só o que eu fiz”. Ainda não parece que as pessoas entenderam que tudo que fazem uma hora vai voltar para elas.

Fonte - Publicado em 28.02.2011

Estamos caminhando para uma sociedade vegetariana?

Consumo de carne no mundo

Estamos caminhando para uma sociedade vegetariana?
Em países emergentes, como a China e o Brasil, o consumo de carne está aumentando dramaticamente. Na verdade, o consumo mundial de carne vermelha quadruplicou desde 1961.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) espera que o aumento da prosperidade conduza a uma duplicação da produção mundial de carne até o ano de 2050.

A questão é se o nosso planeta, com seus recursos limitados, ainda será capaz de satisfazer todas as nossas necessidades no futuro.

Muitos vegetais para o gado, pouca carne para o homem

"Produzir um quilo de carne consome entre sete e 16 kg de grãos ou soja como ração animal," afirma o Dr. Peter Eisner, do Instituto Fraunhofer, na Alemanha. "Como resultado, nos EUA, cerca de 80 por centos do grãos produzidos vira alimento para o gado."

Comparado à produção de carne, o cultivo de plantas para servirem de alimento para o homem é consideravelmente menos terra-intensivo.

Gasta-se 40 metros quadrados de terras agricultáveis para produzir um quilo de carne, mas o mesmo espaço pode produzir 120 kg de cenouras ou 80 kg de maçãs.

Substituição da carne por vegetais

"As plantas são uma fonte de alimentos de alta qualidade, mas elas também podem fornecer matérias-primas para aplicações tecnológicas - e são uma fonte de energia," salienta o pesquisador.

É o caso das sementes de girassol: até agora elas têm sido usadas para a produção de óleo, e seus resíduos servem como alimento para o gado. Como resultado, uma área de 2 1/2 acres de terra gera uma renda de cerca de 950 euros.

Se todos os componentes da semente de girassol fossem processados e convertidos para matérias-primas de alta qualidade para a indústria alimentar, indústria de cosméticos e de combustível, a mesma área de terra geraria para o agricultor uma renda de €1.770,00.

Substituto do leite

Sementes de Tremoço
Eisner acredita que os ingredientes alimentares à base de plantas podem desempenhar um papel particularmente importante como um substituto para os alimentos de origem animal.

Como exemplo, ele apresentou um "substituto do leite" feito de proteínas de tremoço, e adequado como base para a preparação de alimentos como sorvete ou queijo. Esse substituto artificial do leite não contém lactose, tem um sabor neutro, é isento de colesterol e rico em ácidos graxos poli-insaturados.

As sementes de tremoço também são o ingrediente básico de uma nova proteína vegetal com propriedades parecidas com gordura, que foi desenvolvida pela pesquisadora Daniela Sussmann, do mesmo instituto alemão.

Um método especial de produção, aplicado às sementes de tremoço, produz uma suspensão de proteínas com uma consistência muito cremosa, altamente viscosa.

"A estrutura microscópica do produto assemelha-se às partículas de gordura em uma salsicha. Então você pode usá-lo para a produção de salsichas com pouca gordura, com um gosto que equivale exatamente ao original," acrescentou a cientista.

Proteínas das plantas

Em testes sensoriais, Daniela investigou se a adição de proteínas de tremoço poderia melhorar a sensação gustativa de uma receita de linguiça com pouca gordura. Com sucesso: "Com a adição de 10 por cento da proteína que isolamos, fomos capazes de melhorar sensivelmente a impressão de gordura de uma salsicha de baixo teor de gordura."

Como as salsichas e produtos similares estão entre os alimentos com os mais altos níveis de gordura, este seria certamente um passo na direção certa para melhorar a qualidade nutricional dos alimentos industrializados.

Se uma parte da gordura for substituída com proteínas derivadas das plantas, todos se beneficiariam: o consumidor, ao comer menos gordura, o agricultor, ao obter uma renda maior pela sua produção, e o meio ambiente, porque as plantas podem ser produzidas de forma mais sustentável do que a carne.

Fonte - Publicado em 18.01.2011

Ser vegetariano pressupõe elevação espiritual, diz esotérica

Por Monica Buonfiglio

Os mais famosos adeptos do vegetarianismo são: Richard Gere, Michelle Obama, Pâmela Anderson, Brad Pitt, Leonardo Di Caprio, Orlando Bloom, Liv Tyler, Jared Leto além dos célebres: Bernard Shaw, Isaac Newton, Leon Tolstoi, Isadora Duncan, Pitágoras, Rousseau, entre outros. Além disso, os mais fortes mamíferos terrestres são vegetarianos (elefante, rinoceronte, hipopótamo, búfalo, bisonte, boi etc).

É importante compreender que não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, somos seres espirituais passando por uma breve experiência humana para aprendermos com os animais. Assim, à medida que o espírito purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria se torna menos densa, não mais se arrasta em sofrimento, as necessidades físicas são menos grosseiras e não existe mais a necessidade de destruir os seres vivos para se alimentar.

O espírito por ser mais livre, tem percepções que, para os demais, são desconhecidas; vê pelos olhos do corpo o que apenas pelo pensamento se pode imaginar. Esta purificação de quem é vegetariano se reflete na perfeição moral, em que as paixões brutais se enfraquecem e o egoísmo dá lugar a um sentimento fraternal.

Sabemos que o consumo da gordura e proteína animal (que se iniciou há dois milhões de anos) interferiu no crescimento do nosso cérebro até chegar ao tamanho atual. Também, de que os seres humanos são onívoros por natureza, ou seja, digerem vegetais e carne. Mas entendo que a opção de não ingerir carne é inteligente, já que significa a faculdade de ter agudeza, perspicácia, habilidade e entendimentos secretos. Ora, isto indica que o vegetariano percebe o todo, o Deus manifestado em tudo, nos animais, aves, vegetais e minerais.

Quer se tornar vegetariano? Ótimo, mas a mudança de alimentação deve ser feita de modo gradual e, na minha opinião, levará dez anos para reduzir a carne do seu consumo diário. Portanto, nada de radicalismo. O mais importante é ter uma variedade de alimentos para que a dieta vegetariana forneça os nutrientes que o corpo precisa.

Existem diferentes tipos de vegetarianos:

Ovolactovegetarianos: não consomem carne de nenhum tipo, mas consomem ovos, leite e derivados.

Lactovegetarianos: não consomem nenhum tipo de carne nem ovos, mas leite e derivados são liberados.

Veganos: não consomem nada de origem animal. Além disso, roupas de couro, lã e seda, não são utilizados. Consomem soja.

Semivegetarianos: são vegetarianos, mas alimentam-se de peixe e aves (este grupo não come carne vermelha).

Macrobióticos: pessoas que se alimentam de cereais integrais, legumes e frutas frescas.

Crudivorismos: só comem vegetais crus.

Frugivorismos: rejeitam a carne e evitam "matar" vegetais. Consomem frutas e castanhas.

Fonte

Dieta vegetariana ainda é alvo de preconceito, diz cardiologista

Cardiologista Julio César Acosta Navarro fala do preconceito no meio acadêmico em relação a dieta vegetariana
Por Iara Biderman

O cardiologista peruano Julio César Acosta Navarro convive com dois mundos diferentes. Um é o da medicina intervencionista - ele é médico do setor de Emergências Clínicas do InCor (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O outro, objeto de suas pesquisas, envolve o estudo dos efeitos de longo prazo da dieta vegetariana, ainda pouco compreendida pela ciência ocidental.

Em entrevista à Folha, Navarro, que acaba de lançar o livro Vegetarianismo e Ciência (Ed. Alaúde), fala do preconceito no meio acadêmico em relação a essa dieta e aponta benefícios e dificuldades encontrados por quem quer praticá-la.

O fato de você ser vegetariano interfere na forma com que as pessoas veem o seu trabalho?

Se um cientista diz que é vegetariano, acham que seu trabalho está orientado por interesses além dos científicos. A questão é polêmica, e o tema não é facilmente aceito na academia. Senti isso na pele quando tentei defender minha tese de doutorado, sobre benefícios da dieta vegetariana, pela primeira vez. Eu tinha um trabalho que já havia sido aceito para publicação e apresentado em congressos, mas não foi aceito. Tive que desenhar um segundo estudo e só pude defender a tese dois anos depois.

Você sempre seguiu esse tipo de dieta?

Como a maioria, cresci em uma família em que a carne era o alimento favorito, acreditando que, além de gostosa, era necessária. Aos 15 anos, a partir de leituras de filosofias orientais, me convenci de que ser vegetariano era uma mudança para melhor. Nessa idade, não parei de comer carne --comia o que minha mãe me servia--, mas, aos 20, adotei o vegetarianismo. Como já estava na universidade, decidi investigar a questão do ponto de vista médico. Era o início dos anos 80, o vegetarianismo era associado a religião e radicalismo. Hoje, é uma questão da ciência, da ecologia.

Publicações científicas atuais começam a usar o termo "semivegetarianos". Isso existe?

É um termo novo, mas é um grupo real. É encontrado em populações que comem pouca carne por falta de acesso, por ser cara, e em grupos simpatizantes do vegetarianismo que não conseguem abolir a carne do cardápio. A definição técnica é o consumo de no máximo uma porção de carne por semana.

FONTE - Publicado em 01.01.2011

Veja publica matéria condenando o vegetarianismo entre crianças

Veja publica matéria condenando o vegetarianismo entre crianças
Por Renata Octaviani Martins

A Revista Veja desta semana (10/11/2010) publicou matéria comentando – e condenando – o vegetarianismo entre crianças.

Destaco trecho da matéria (que pode ser lida aqui) que foi intitulada “Filhinhos Vegetarianos, nem pensar”, ilustrada com o gigantesco prato de alface. E se alguém pensa que um título desses pode ser imparcial, discordo.

É engraçado com uma revista de grande circulação, com uma boa dose de irresponsabilidade, tem o poder de atormentar a vida de milhares de mães vegetarianas que já sofrem com a pressão da família, da insegurança e – isso é importante – com dados questionáveis ao fazer uma afirmação desse tipo. Por mais que a prova viva da saúde esteja ali correndo, brincando, gritando, se sujando e fazendo tudo que qualquer outra criança faz. E crescendo com saúde visível e um senso crítico em relação à própria alimentação que poucas têm a oportunidade de conhecer.

Não tenho filhos. Mas conheço algumas mães vegetarianas que têm. Umas próximas, outras são clientes. Mas vejo que o desenvolvimento dessas crianças e é completamente normal.

Ao mesmo tempo, tenho sobrinhos e conhecidos creófilos e, honestamente, lamento pela alimentação deles pelo lado ético, pela má qualidade, pelo excesso de industrializados e porcarias convenientes vendidas como saudáveis pelos fabricantes. Comem um “danoninho”, jantam nugget, doces banhados em corantes; mas não comem uma fruta, uma castanha, um legume preferido, um arroz integral, feijões (alguns comem arroz branco e caldo, jamais arroz integral e variedade de leguminosas em grãos), nada disso. Separam qualquer “verde” do prato, se negam a experimentar coisas novas e trocam facilmente uma refeição por um doce. E as mães se consolam com essa troca, já que “eles não comem nada”.

Não nego: existem crianças creófilas saudáveis, já que existe também a possibilidade de atingir uma alimentação considerada equililbrada com inclusão de derivados animais. O problema é: por que colocar no seu prato uma variedade de produtos antiéticos e inúteis se você pode ter uma variedade de cores, sabores e nutrientes muito maior com o que algumas pessoas ainda acham que é restrição? Se você não come 200 g de carne e ovos, você pode comer 2 tipos de feijão, um cereal integral e uma variedade de legumes no dia, por um preço menor. Se a sobremesa não é gelatina com sabor artificial, é uma salada de frutas. Se não toma leite, prepare-se para entrar no mundo das oleaginosas, leguminosas, cereais, frutas secas e vegetais verde-escuros. E, acreditem, muitas crianças vegetarianas também comem bolos, sorvetes, biscoitos: normalmente caseiros, consequentemente com menor frequência, e com uma preocupação com os ingredientes e forma de preparo que poucas mães – especialmente as que acreditam na combinação mortadela e balas – têm, feitos com ingredientes 100% vegetais. Eu mesma faço, no VegVida, salgadinhos, sanduíches, bolos e brigadeiros veganos que fazem a alegria no aniversário de pequenos vegetarianos e seus convidados.

Há também crianças que não comem nem esses alimentos veganos de exceção e estão ótimas também.

Que toda criança faz manha, faz mesmo; mas não vejo as crianças vegetarianas com tanto medo assim de experimentar um pouco de tudo, justamente porque seus pais costumam ter uma noção de nutrição melhor. A opção do danoninho e do nugget simplesmente não existe em casas vegetarianas. Mc Lanche Feliz é palavrão (já que ignoram a ética, algum pai ou mãe realmente aceita que isso á saudável?!) . Vegetais nas suas mais variadas formas, em compensação, não são bichos de sete cabeças.

Mas conheço mães que escolheram simplesmente mentir para seus obstetras e pediatras para terem um pouco de sossego. Esses – solicitados para dar uma orientação a fim de melhor balancear a dieta – insistem em recomendar carnes, frangos, peixes, fígado, ovos, queijos. O que elas fazem? Mentem, estudam por conta própria já que não podem contar com esses profissionais e – surpresa! – os exames continuam normais, isso quando não são dignos de elogio. “Pode deixar, doutor, vou seguir sua recomendação”, e da porta pra fora aquelas crianças continuam vegetarianas, veganas e completamente saudáveis. Ah, mas e se você se anima com os resultados e conta: “bom, ele continua vegetariano/vegano”. Prepare-se pra ouvir o sermão e ter seu filho enviado pra um exame “só pra confirmar”. Que mãe vai aceitar isso? Nenhuma. Então elas mentem, doutores. Bastante. E deixam que vocês avaliem só o resultado, sempre digno de elogios.

E, honestamente, quem tem a melhor alimentação? “Mãe, quero brócolis” não é ficção de propaganda e acontece mais do que imaginam.

Você está grávida ou tem um filho? A minha recomendação é: não peça conselhos sobre alimentação para seu médico regular. Parece irresponsável, mas é justamente o contrário: procure um nutricionista ou nutrólogo especializado em alimentação vegetariana ou que no mínimo conheça de fato o assunto. E leia sobre o assunto, tanto quanto mães de não vegetarianos leem e tomam suas próprias decisões também. Recomendo os seguintes textos e sites (alguns em inglês):

• Alimentação sem Carne. Autor: Eric Slywitch. Livro de cabeceira de qualquer vegetariano brasileiro minimamente interessado em nutrição, é um dos poucos livros completamente objetivos e que trata puramente de como balancear uma dieta vegana em padrões ocidentais e científicos. Derruba qualquer mito e deveria ser leitura obrigatória para médicos e leigos que se manifestam sobre o assunto. Disponível para compra online.

• Comida Vegetariana para crianças. Autora: Sara Lewis. Livro publicado com aval da Vegetarian Society Britânica, trabalha com o conceito de alimentação infantil lúdica com visual caprichado e divertido, dá diversas dicas de introdução de novos alimentos aos pequenos, desde a fase da alimentação até final da infância. Com enfoque ovolactovegetariano, o paralelo vegano é citado constantemente, assim como são indicadas as melhores adaptações nas receitas. Leitura obrigatória para grávidas e mães de pequenos vegetarianos. Disponível para compra online.

• Alimentação Infantil Vegetariana. Autora: Eliane Lobato Austragésilo. Livro de 1984 e já esgotado, trabalha com um conceito de alimentação naturalista ovolactovegetariana, mas pode ser usado como referência também por mães veganas. Costuma ser encontrado em sebos, inclusive os virtuais.

• Recursos para uma Vida Natural. Autora: Eliza S. Biazzi. O livro tem um enfoque naturalista, vegetariano sem ovos ou leite, mas com inclusão de mel. Há outras restrições absolutas como açúcares e temperos, o que não é todo vegetariano que segue (eu, por exemplo). Mas é também uma boa referência para dieta de gestantes, dieta infantil, tratamentos naturais, etc. Também costuma ser encontrado em sebos.

• Site “The Vegetarian Resource Group”. Grupo de estudos que dá suporte a todos os comentários feitos sobre dieta vegetariana no âmbito do USDA, tem página específica sobre alimentação infantil: http://www.vrg.org/family/kidsindex.htm

• Site “Materna Vegetariana”. Mães provando que seus filhos são saudáveis e contando diversas experiências http://maternavegetarianas.blogspot.com/

Mas, como sempre, vamos ter que ouvir dos leitores dessa revista, a exemplo do que já ocorreu com outra publicação (Revista Época) em 2008, “que não podemos ser saudáveis assim”. Bom, se eu tiver filhos, já sei pelo menos de onde boa parte das pessoas tira as bobagens repetidas à exaustão que somos obrigados a ouvir.
Escrevi uma carta à Revista Veja e espero que seja publicada. Mas, infelizmente, mais uma vez o estrago já foi feito.

“Filhinhos Vegetarianos: pensamos, sim!

O Conselho Federal de Medicina (CFM) não se manifesta sobre vegetarianismo. A Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) se nega a emitir um parecer sobre o assunto dizendo tratar-se de ideologia. Os Conselhos Regionais de Nutrição não têm coragem de emitir um parecer científico sobre a matéria. Isso no Brasil, já que no exterior muito do que se publicou nesse infeliz ‘Guia’ é assunto superado. E mesmo no Brasil temos a sorte de termos médicos e nutricionistas bem mais esclarecidos, alguns autores de livro referência Alimentação Sem Carne como o Dr. Eric Slywitch e também incentivadores do vegetarianismo na infância em seus consultórios, como o Dr. Paulo Eiró Gonsalves (in memorian).

A Associação de Dietética Americana (ADA), a Associação Americana de Pediatria, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a escola de saúde de Harvard, o tratado Nutrição Moderna na Saúde e na Doença, que é referência na área e inúmeros cientistas e extensa bibliografia atualizada mundo afora formam coro uníssono ao afirmar que a dieta vegana balanceada (como qualquer dieta deve ser) fornece todos os nutrientes necessários em qualquer fase da vida e em qualquer nível de atividade. Muitas firmaram posição que os profissionais têm até mesmo obrigação de incentivar quem manifesta desejo por seguir esse estilo de vida, já que é visivelmente mais vantajoso para a saúde e desempenha papel na prevenção de doenças crônicas diversas como hipertensão, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e AVC.

Nós, vegetariamos e veganos, já temos que viver o absurdo de, mesmo visivelmente saudáveis (eu mesma sou doadora regular de sangue e plasma), sermos questionados sobre nossa saúde o tempo todo, por leigos e por médicos se portando como leigos quando de fato não conhecem o assunto. Vegetarianismo não é sequer mencionado nas faculdades! E, infelizmente, temos que aguentar uma revista como a Veja divulgando argumentos questionáveis e, mais, sem procurar um profissional especializado nesse tipo de alimentação para ao menos mostrar os dois lados. A ‘verdade’ exposta pela pediatra é a única e, nesse caso, voz vencida entre meios realmente científicos.

Uma pediatra acostumada a prescrever dietas com carne, ovos e leite dificilmente tem imediata ciência de como balancear nutrientes senão da única forma que ela conhece. Ao mesmo tempo, é usado como argumento a ‘necessidade de uma dieta colorida’ para uma criança. Acontece que não existe dieta mais colorida que uma dieta vegetariana com seus cereais, leguminosas, oleaginosas, sementes, frutas, tubérculos, cogumelos, algas, verduras e todos os derivados desses produtos. Tem que ser variada e equilibrada? Lógico, tanto quanto ninguém deveria supor que hambúrguer com batata frita supre necessidades nutricionais e não causa problemas.

Sobre o guia, a única verdade que contém é a necessidade de suplementação de vitamina B12. Que pode ser feita uma vez ao dia, uma vez por semana ou uma vez ao ano, sem risco de hipervitaminose ou carência, sendo o suplemento de origem microbiana. Suplementação essa que é tão banal quanto a suplementação de iodo pelo sal de cozinha, hoje em dia uma necessidade da humanidade que vive longe dos litorais. Por que podemos escolher suplementação por termos nos instalado em região que também não seria a mais natural, mas não podemos escolher a suplementação por ética, já que é uma opção? Por que mulheres em idade fértil devem suplementar ácido fólico – apesar de ser mais do que clara a relação entre carência desse nutriente e o uso contínuo de anticoncepcionias hormonais – e nós não podemos ensinar a nossos filhos valores como respeito aos animais, com saúde plena?

Comedores de carne e outros produtos de origem animal têm até mesmo propagandas de multivitamínicos declarando a ineficácia de seu modelo de alimentação, já que consideram “difícil consumir 6 porções de frutas e vegetais” ao dia. Nós, vegetarianos, ultrapassamos facilmente esse número e nos nutrimos de alimentos saudáveis, funcionais, ricos em minerais e vitaminas e que fornecem todos os macronutrientes.

Não somos nós os consumidores de biotônicos, bolachas “vitaminadas”, iogurtes para prisão de ventre, entre outros produtos bastante questionáveis. Não somos nós a população que necessitou de suplementação de ferro e ácido fólico em farinhas brancas. Questionem quem são, então, os verdadeiros doentes dessa sociedade e quais crianças merecem nossa preocupação de fato.

Ainda não tenho filhos. Mas não tenham dúvidas de que, quando os tiver, serão criados levando em conta o respeito pelos animais e a saúde, numa dieta vegetariana.

Renata Octaviani Martins
www.vegvida.com.br
Culinarista Vegana
Campinas-SP


Fonte

Vegetarianismo na terceira idade

Vegetarianismo na terceira idade
Existe uma estreita relação entre o processo de envelhecimento, a incidência de doenças metabólicas e degenerativas e a alimentação. O tipo de dieta praticada durante as diferentes fases da vida tem um papel importante na longevidade e na manutenção de um bom estado de saúde. Segundo a American Dietetic Association (Associação Dietética Americana), a escolha de uma alimentação vegana durante a terceira idade contribui para a prevenção da maioria das doenças características desta fase da vida humana.

Existem inúmeras mudanças no organismo, durante a terceira idade, que conduzem a estados de doença muito frequentemente relacionados com a nutrição e a alimentação, nomeadamente a diminuição de massa óssea e muscular e, simultaneamente, um aumento da massa gorda, contribuindo para o aparecimento da diabetes tipo II e consequentes problemas de saúde. A alimentação vegana é rica em fibra e hidratos de carbono complexos e pobre em gorduras e açúcares rápidos, contribuindo não só para a prevenção da diabetes tipo II, como também da obesidade. Durante o processo de envelhecimento, ocorrem uma série de alterações fisiológicas importantes:

Mudanças hormonais

Após a menopausa, as mulheres sofrem uma diminuição da atividade hormonal que compromete a absorção de cálcio, aumentando, assim, a incidência de osteoporose. Devido a estas alterações hormonais, a mulher idosa deve ter em atenção a quantidade e o tipo de alimentos que ingere. O consumo de leite é responsável não só pela descalcificação óssea (devido ao consumo de proteína animal) como também por graves intolerâncias e alergias; por isso, devem ser procuradas outras fontes de cálcio, tais como os vegetais verde-escuros, o tofu, as nozes e as castanhas, o leite de soja, e outros produtos freqüentemente encontrados em dietas veganas.

Diminuição da resistência imunológica

A frequente desnutrição contribui em grande parte para um organismo debilitado e mais propício ao desenvolvimento de infecções. As principais deficiências nutricionais responsáveis pelas alterações imunológicas em idosos são as carências de vitamina B6, A, C e E. Uma alimentação vegana cujo consumo energético diário seja adequado ao gasto energético e inclua cereais integrais, soja, legumes verdes, frutas frescas, frutos oleoginosos e sementes, oferece uma boa dose das vitaminas B6, A, C e E, evitando, assim, a diminuição da eficácia do sistema imunológico.

Alterações do trato gastrointestinal

Durante o envelhecimento, ocorre uma diminuição da elasticidade e dos movimentos de contração da mucosa intestinal. Também a mobilidade intestinal é reduzida, levando a inflamações bacterianas na mucosa digestiva. Devido ao evidente comprometimento da digestão daqui decorrente, nutrientes como a vitamina B12, B1 e Ferro apresentam uma absorção reduzida. A alimentação vegana fornece uma boa quantidade de fibras, o que ajuda a regularizar o trânsito intestinal, evitando episódios de obstipação. A inclusão de maiores quantidades de cereais integrais, frutos secos e oleoginosos, legumes verdes e produtos enriquecidos com vitamina B12 e Ferro ajudam o idoso a manter um bom estado de saúde.

Alterações cardiovasculares

Os vasos sanguíneos perdem elasticidade, contribuindo significativamente para a hipertensão arterial e consequentemente para o aumento do risco de complicações cardiovasculares. Uma alimentação pobre em gorduras, colesterol e sal, como é a dieta vegana, contribui para a prevenção destas e de valores elevados de tensão arterial. A alimentação vegana inclui vários alimentos enriquecidos que contribuem para uma dieta saudável e equilibrada. Idosos veganos (tal como idosos com uma dieta onívora) devem também ter em consideração que, devido a todas as alterações relativas ao processo de envelhecimento, existem outros cuidados com a alimentação diária que devem ser tidos em elevada consideração, devendo, assim, fazer refeições:

- pequenas quantidades e divididas ao longo do dia;
- com consistência adequada à capacidade de mastigação do idoso;
- de fácil digestão, evitando a utilização de condimentos fortes e gorduras em excesso;
- ausentes em proteína animal devido ao aumento de doenças relacionadas com o seu consumo;
- ricas em vitaminas, minerais e fibras, com base em alimentos como legumes, hortaliças, frutas e cereais em geral.

Como vê, nunca é tarde para adotar uma dieta saudável e livre de crueldade!

Fonte

Mais comida e menos impacto ambiental com uma dieta vegetariana

Por Maurício Andrés Ribeiro

Consumo de carne e de produtos animais aumenta a pressão sobre os recursos naturais

As cadeias alimentares sobrepõem-se como parte do ciclo da vida na Terra. Quando morre um ser vivo, as bactérias o decompõem em substâncias orgânicas e inorgânicas, usadas pelos vegetais para alimentar-se. Há perdas energéticas significativas quando se passa de um para outro nível na cadeia alimentar. A ecologia energética ensina que cadeias alimentares são as transferências de energia alimentar desde os produtores básicos — as plantas, para os animais herbívoros (consumidores primários) —, até os animais carnívoros que se alimentam dos herbívoros. O homem está entre as espécies que absorvem energia de vários desses elos da cadeia alimentar.

Como grande parte da energia é degradada a cada transferência de um nível para outro, quanto maior a cadeia alimentar, menor será a energia disponível. Assim, os estudos de ecologia energética revelam a superioridade dos produtos de origem vegetal sobre os de origem animal, em termos de produtividade energética. Daí decorrem as consequências ambientais de diferentes dietas alimentares.

A demanda por alimentos que se encontram no alto da cadeia alimentar — constituídos pelos produtos de origem animal — consome grande quantidade de terra, água, recursos naturais e defensivos agrícolas; motiva os fazendeiros a expandir as áreas destinadas a pastagens, provoca a destruição de florestas e perdas de solo fértil. Assim, quanto maior o consumo de carne e de produtos animais, que se encontram no topo da cadeia alimentar, maior a pressão sobre os recursos naturais.

A dieta alimentar baseada em proteínas animais, quando comparada a dietas baseadas em grãos, hortaliças e proteína vegetal, tem elevado custo energético e sua produtividade energética é baixa. Se o produto é usado para o consumo alimentar humano direto, há menores perdas energéticas; se, entretanto, é usado para alimentar animais, que por sua vez servirão de alimentos para as populações humanas, ocorrem perdas energéticas substanciais. As dietas vegetarianas são poupadoras de espaço, dos recursos naturais e do meio ambiente, conseguindo, com baixo uso de recursos naturais, um alto rendimento energético alimentar dessas populações. Eminentes cientistas ocidentais, como o biólogo Paul Erlich, afirmam que “a capacidade de suporte do planeta seria aumentada se todos se tornassem predominantemente vegetarianos”.

Várias sociedades regularam suas dietas como estratégia para não romper a capacidade de suporte do seu território e reduzir os riscos de colapso da sociedade. A Índia é uma das mais conhecidas, com o vegetarianismo e a sacralização dos animais. Jared Diamond relata o caso da ilha de Tikopia, no Pacífico Sul, com 4,7km2 e densidade de 309 pessoas por quilômetro quadrado, continuamente habitada há quase 3000 anos. Uma das estratégias para garantir a capacidade de sustentação do ambiente foi a mudança de hábitos alimentares, eliminando aqueles que implicam competição pelo uso da terra.

Uma decisão significativa tomada conscientemente por volta de 1.600 d.C, e registrada pela tradição oral, mas também atestada arqueologicamente, foi a matança de todos os porcos da ilha, substituídos como fonte de proteína pelo aumento do consumo de peixe, moluscos e tartarugas.

Isso nos ensina uma lição importante num contexto de crise alimentar. Uma dieta alimentar ecologizada e que garanta o alimento à população humana precisa basear-se em padrões de consumo alimentar e energético que não pressionem excessivamente a capacidade de suporte do planeta e que não esgotem as fontes de sustento. Ecologizar a dieta alimentar será de grande relevância para modificar as demandas por alimentos na direção daqueles que provoquem menores impactos ambientais. Na ecoalfabetização dos cidadãos, é crucial conhecer a ecologia energética e aplicar seus conhecimentos.

Fonte - Publicado em 17.12.2009

O que você precisa saber sobre vegetarianismo

O que você precisa saber sobre vegetarianismo
Ser vegetariano, do ponto de vista nutricional, significa apenas não se alimentar de carnes de nenhum tipo.

A dieta vegetariana, quando bem planejada, é segura para todas as fases da vida: infância, idade adulta, senilidade, gestação e amamentação. Se o planejamento nutricional é adequado, como deve ser para qualquer tipo de dieta, não há nenhuma limitação à prática de qualquer atividade física.

Os principais nutrientes que necessitam ser enfatizados na dieta vegetariana são: vitamina B12, vitamina B2, cálcio, zinco, ferro e gorduras do tipo ômega-3. A quantidade das demais vitaminas e minerais ingeridas por um vegetariano é muito maior do que a de uma pessoa que come carne em diversos estudos.

A questão da proteína é um mito. Os estudos científicos demonstram que ao atingir a necessidade energética diária, com alimentos de origem vegetal (principalmente grãos), todos os aminoácidos essenciais são supridos.

O único nutriente que necessita de suplementação é a vitamina B12. Essa suplementação deve ser realizada para crianças, gestantes e mulheres amamentando que não fazem uso diário de ovos e lácteos e para os que excluem todos os derivados animais da dieta (ovos e lácteos). Todos os outros nutrientes podem ser perfeitamente obtidos na dieta sem suplementação.

Os benefícios à saúde ao se adotar a dieta vegetariana são muitos (veja o artigo "O vegetarianismo e a sua saúde"). Todas as patologias estudadas com relação ao vegetarianismo mostram resultados positivos. A incidência de diversas patologias é acentuadamente reduzida em vegetarianos.

Podemos tranquilamente falar em prevenção de doenças e auxílio ao tratamento com a dieta vegetariana. No entanto, a Sociedade Vegetariana Brasileira, não corrobora a alegação de que a dieta vegetariana cura doenças. Não existem estudos científicos até o momento que comprovem tal fato.

Ser vegetariano não é apenas uma opção alimentar.
Ser vegetariano é uma atitude alimentar.

Informe-se!


Por Eric Slywitch - Médico, coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira. Especialista em nutrologia (ABRAN) e nutrição enteral e parenteral (SBNPE). Pós graduado em nutrição clínica (GANEP). Especialista em nutrição vegetariana.

Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira