Boi e soja influenciam o desmate

Um estudo feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostra que o desmatamento segue a flutuação do mercado de commodities, especialmente carne e soja. A queda do preço nos últimos anos teria ajudado a controlar a derrubada nos últimos três anos. Da mesma forma, a recuperação do mercado teria impulsionado a retomada do desmate em 2007. A reportagem é de Cristina Amorim e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28/01/2008.

A ligação entre os fatores foi levantada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O estudo foi apresentado ao MMA pelo autor, Paulo Barreto, há algumas semanas.

Por meio de nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) “repudia totalmente” a ligação entre os fatores e afirma que “o grande proprietário de terras na região é o próprio governo federal, detentor de 76% das áreas na Amazônia Legal, devendo a este o ato de cuidar de suas próprias terras”.

A análise feita por Barreto compara, de 1994 a 2006, a área desmatada na região, medida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com o preço anual médio deflacionado da saca de soja e do boi. “A relação com o gado é mais consistente”, diz Barreto. Ela é de 1 para 0,82 (1 para 1 é o coeficiente padrão) para a carne e 1 para 0,50 para o grão.

O autor explica que floresta, quando derrubada com corte raso do jeito que é detectado pelo satélite, recebe melhor pasto do que grão, uma vez que o solo ainda sente o impacto do desmate. “A soja usa pastagem antiga. Além disso, ela demanda uma infra-estrutura melhor, com estradas que permitam o escoamento da produção, relevo plano e um regime de chuvas específico. No caso do gado, as exigências são mais brandas.”

Barreto, contudo, afirma que a soja pode pressionar o gado a avançar sobre novas áreas e, em casos de preços muito altos, derrubar para plantar é vantajoso. É o que teria ocorrido entre 2001 e 2004 - nesse ano, 27.379 km2 foram desmatados, quando o preço do gado estava em queda. Esse é o segundo maior índice já registrado pelo Inpe. O primeiro, de 29.059 km2, coincide com o lançamento do Plano Real, em 1º de julho de 1995.

A ação das madeireiras não teria sido determinante para o repique do desmatamento. As regiões mais afetadas, como centro-norte de Mato Grosso e oeste do Pará, tiveram as árvores de maior valor comercial retiradas há mais de uma década. “As atuais fronteiras (de desmate) já passaram pelo ciclo da madeira”, diz Barreto.

Publicado em 28.01.2008

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

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