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Erroneamente, O Globo endossa afirmação de que gordura saturada faz bem à saúde

Por Fabio Chaves (Vista-se)

Erroneamente, O Globo endossa afirmação de que gordura saturada faz bem à saúde
Uma matéria publicada nesta quinta-feira (29) no site do jornal carioca O Globo surpreende pelo título: “Novas pesquisas mostram que gordura saturada não faz mal à saúde” (leia aqui). O texto nem tenta ser imparcial, embora, lá no final, registre a opinião de uma nutróloga que não concorda com uma dieta baseada em grandes quantidades de gordura saturada.

A reportagem gira em torno do livro “The big fat surprise: why butter, meat and cheese belong in a healthy diet” (“A grande surpresa da gordura: por que manteiga, carne e queijo pertencem a uma dieta saudável”), da jornalista norte-americana Nina Teicholz, que trabalha como crítica gastronômica em Nova York. Sim, o jornal O Globo baseou toda a história embaixo deste título polêmico na opinião de uma pessoa que nem da área da saúde é e que ganha seu salário frequentando o cenário gastronômico.

Ambientalistas alertam para perigos do aumento no consumo de carne

Estudo prevê que crescimento da demanda contribuirá para aumento do desmatamento de florestas e encarecimento de alimentos básicos. Produção em grande escala ameaçaria meio ambiente e prejudicaria os mais pobres.

Ambientalistas alertam para perigos do aumento no consumo de carne
Ambientalistas alemães alertam que o aumento mundial do consumo de carne contribui para a destruição do meio ambiente e prejudica a população mais pobre. Segundo um estudo preparado pela organização Bund, a Fundação Heinrich Böll, ligada ao Partido Verde alemão, e o jornal francês Le Monde Diplomatique, até meados deste século, agricultores e empresas agrícolas em todo o mundo terão que aumentar sua produção dos atuais 300 milhões para 470 milhões de toneladas de carne para satisfazer a demanda global.

O Fleischatlas ("Atlas da Carne"), divulgado na quinta-feira, é uma coletânea de dados sobre o consumo e a produção de carne no mundo. Através de estatísticas, textos e gráficos, o documento, publicado pelo segundo ano seguido, busca alertar para os efeitos colaterais do crescimento dessa indústria.

Estudo liga consumo de carne processada a risco de morte precoce

Um estudo feito com meio milhão de pessoas na Europa indica que salsicha, presunto, bacon e outros tipos de carne processada aumentam o risco de morte precoce.

O levantamento acompanhou pessoas de dez países europeus durante uma média de 13 anos, sendo que uma em cada 17 pessoas acompanhadas no estudo morreu. Os cientistas concluíram que dietas com alto consumo de carnes processadas estão ligadas a doenças cardiovasculares, câncer e mortes precoces.

Rio+20 precisa questionar padrões de consumo de carne

Por Guilherme Carvalho

Rio+20 precisa questionar padrões de consumo de carne
Na iminência de sediarmos no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, uma pergunta segue sem resposta: será que a conferência e os outros eventos que giram em torno dela vão abordar com a devida prioridade o insustentável padrão de consumo de produtos animais que parece se espalhar como uma pandemia pelo mundo em desenvolvimento?

Os Estados Unidos (e a pequena Luxemburgo), liderando o ranking de consumo per capita de carnes com mais de 340 gramas de carnes por dia, são responsáveis por mais de 10% da pecuária mundial. Enquanto isso, a Índia, com seus mais de 40% de vegetarianos estritos, tem o menor consumo per capita de carnes do mundo — menos de 10 g de carne por dia. Segundo o jornal Times of India, esta é uma das principais razões pelas quais um cidadão estadunidense demanda, ao longo de um ano, cerca de 5 vezes mais grãos do que um indiano.

Quer salvar o planeta? Pare de comer carne!

Por Natasha Romanzoti

Quer salvar o planeta? Pare de comer carne!
Quer ajudar o clima? Que tal reduzir o seu consumo de carne?

Pelo menos no mundo desenvolvido, esse passo pode ser necessário a fim de estabilizar os níveis atmosféricos de um gás do efeito estufa, o óxido nitroso.

O óxido nitroso é o maior contribuinte do homem à destruição do ozônio estratosférico (o “buraco de ozônio”), e o terceiro gás que mais contribui para o efeito estufa, depois do dióxido de carbono e do metano.

Mais carne, menos água - Entrevista com Guilherme Carvalho

Mais carne, menos água. Entrevista especial com Guilherme Carvalho
Um dos principais reflexos da produção intensiva de carne se dá na água da região onde a pecuária existe. O problema é ainda maior quando se analisa a produção de alimentos para animais que depois vão para o prato das pessoas. A soja é um dos principais produtos utilizados em rações. O Mato Grosso é o Estado que mais produz esse grão no país e uma pesquisa, realizada em algumas cidades produtoras de soja, “encontrou resíduos de agrotóxicos no sangue e urina de moradores e nos reservatórios de água e poços artesianos das regiões pesquisadas”, como indica Guilherme Carvalho. Ele concedeu a entrevista a seguir por telefone à IHU On-Line em que falou a respeito das consequências e alternativas para o consumo e para a produção de carne no mundo.

Consumo de carne americana tem baixa de 12,2% desde 2007

Consumo de carne americana tem baixa de 12,2% desde 2007
“Comer carne está em baixa entre os americanos”, diz um relatório do Grupo CME (Departamento de Agricultura) em dezembro. Os dados indicam que "os americanos vão consumir 12,2% menos de carnes e aves em 2012 do que em 2007."

Três razões principais para a mudança: as exportações estão crescendo; os custos estão mais elevados, em parte devido aos preços crescentes da alimentação enfrentados pelos agricultores, e "a fruição de 30-40 anos da política do governo."

Somos todos de carne

Matéria publicada na edição de agosto da Revista Trip e reproduzida aqui na íntegra:

Somos todos de carnePor Lia Harna

Comer carne, um ato aparentemente banal, traz uma série de implicações para a saúde das pessoas, o meio ambiente e o bem-estar dos animais que muitas vezes nem passam pela cabeça de quem consome. Mas nem tudo está perdido... Ainda. Informe-se e coma melhor

Quando compramos uma bandeja de carne no supermercado ou pedimos um inocente hambúrguer, pouca gente se dá conta de que ali está um pedaço de um animal. E que aquela refeição tem cada vez mais impacto no meio ambiente. Foi-se o tempo em que a maioria da carne vinha de fazendas onde os animais eram criados soltos e podiam, bem ou mal, viver como sua espécie deveria viver.

Sua comida está ajudando o planeta?

Por José Eduardo Mendonça

consumo de carne e mudanças climáticas
Carne de carneiro, de vaca e queijo são os maiores emissores de gases estufa entre vinte alimentos populares, que incluem carnes, peixes, laticínios e vegetais - de acordo com um novo estudo do Environmental Working Group (EWG). O Guia dos Comedores de Carne, divulgado pela empresa de pesquisa ambiental baseada em Washington, usou uma avaliação do ciclo de vida para determinar a posição de cada alimento no ranking - além da quantidade de fertilizantes utilizada para plantar os alimentos dos animais, e dados sobre processsamento, transporte e descarte de alimentos.

"Há muitas informações sobre todos os diversos impactos da produção e consumo de carne", disse a analista sênior do EWG, Kari Hamerschlag. "Queríamos consolidar os dados e indicar as coisas mais importantes que os consumidores têm de saber ao tomarem suas decisões". O guia considera os efeitos do consumo de carne, peixes, laticínios e vegetais sobre o ambiente e o clima, assim como sobre a saúde humana e de animais.

Ruminantes, como carneiros e vacas, "liberam quantias substanciais de metano", um gás estufa 25 mais potente que o dióxido de carbono, de acordo com o guia. Apenas nos Estados Unidos, são usados 149 milhões de acres de terra, 80 milhões de toneladas de pesticidas e 9 bilhões de toneladas de fertilizantes de nitrogênio para a produção de carne. Este gado produz cerca de 500 milhões de toneladas de esterco por ano, o que contribui com a poluição da água e do ar.

Citando dados do Departamento de Agricultura dos EUA, o guia afirma que 20% da carne não consumida no país acaba em aterros, embora os resíduos variem de acordo com o tipo de carne: 40% de peixes frescos e congelados são jogados fora. Perus, 31%. Carne de porco, 25%. Carne de vaca, 16%, e de galinha, 12%. "As pessoas realmente não percebem que há uma quantidade tremenda de recursos utilizados na comida que é jogada fora", afirmou Hamerschlag. O Guia inclui um gráfico com a pegada de carbono de cada alimento, igualando o consumo de dois quilos de cada item a milhas dirigidas. Comer dois quilos de bife, por exemplo, equiovale a dirigir um carro por seis milhas. Dois quilos de ovos orgânicos equivalem a uma milha. E dois quilos de lentinhas - o alimento com a menor pegada de carbono do guia - equivalem a um décimo de milha (160 metros).

O relatório reconhece que a carne, quando comida com moderação, fornece proteínas saudáveis e outros nutrientes, mas cita um estudo de 2009 do Instituto Nacional de Câncer, que descobriu que pessoas que comem mais carne vermelha tem 27% mais chances de morrer de doenças do coração do que aquelas que comem menos. "Os americanos consomem mais carne e laticínios que qualquer outro país no mundo, e têm altas taxas de câncer de cólon, doenças do coração e diabates para provar isto", disse o médico Andrew Weil, acrescentando que o guia é uma ferramenta útil para aqueles consumidores que "buscam melhor sua saúde comprando coisas melhores para eles e suas famílias". O professor de saúde pública da Universidade do Arizona é uma das diversas celebridades que defendem o guia. O mesmo foi feito pelo escritor e ativista Michael Pollan e pelo chefe de cozinha Mario Batali, que tem um programa popular na televisão, diz o Los Angeles Times.

"A maioria das pessoas nos EUA comem muito mais carne do que é bom para o planeta", diz Batali, "mas mesmo sabendo disso, há poucas chances de que se tornem vegatarianos ou veganos. Pedir que todos sigam este caminho não é uma opção realista, mas podemos focar em uma dieta mais baseada em plantas e apoiar agricultores que criam seus animais de forma humana e sustentável".

Fonte - Publicado em 20.07.2011

A Amazônia está sendo comida por quem se alimenta de carne

A Amazônia está sendo comida por quem se alimenta de carne
A Floresta Amazônica, considerada o “pulmão do mundo”, está sendo devastada a cada dia para, entre outros fins, o avanço da pecuária. Essa mata recebe essa consideração devido a seu grande numero de espécies de árvores, responsáveis por respirar pelo planeta na ordem inversa: inspirar o gás carbônico e expirar o oxigênio, essencial para a manutenção da vida terrestre.

Ocorre que atualmente o nosso pulmão está sendo lesionado por pessoas que ainda não tiveram consciência de que esse órgão é vital para o mundo!

O avanço da pecuária no Brasil tem causado grande impacto na Amazônia devido ao desmatamento sem controle, seguido de queimadas para a criação de pastagens. Essas pastagens têm uma única finalidade: criação de gado para o abate.

Essa espécie, o bovino, é responsável por uma das maiores fontes poluidoras e destruidoras da camada de ozônio, a qual protege a Terra contra os raios solares agressivos. Isso acontece devido as suas flatulências, composta quase que exclusivamente pelo gás metano, um dos mais agressivos gases para o meio ambiente.

O gás carbônico, apesar de lançado em grande quantidade na atmosfera, é menos agressivo que o metano, então se pensarmos que o mundo conta hoje com mais de 6 bilhões de cabeças de gado, fora aves e suínos, temos a dimensão do estrago ambiental causado. Além disso, temos a poluição dos recursos hídricos do Brasil, ainda hoje tão abundantes em água doce.

Fica claro uma coisa: a pecuária foi a principal responsável pela destruição da Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga e não satisfeitos, estão desmatando a Amazônia pelo mesmo motivo.

E nós, míseros brasileiros? O que podemos fazer para concertar essa situação? Como fazer para que o nosso “pulmão” se recupere?

Nós, brasileiros ou não, devemos trabalhar o consumo da carne, por mais incrível que isso possa parecer. Se aderirmos ao vegetarianismo, praticando o consumo do bem aliado a uma filosofia de vida saudável, ajudaremos a Amazônia não ser destruída, pois sem mercado consumidor, não existe o produto!

Ao preço da carne não está agregado à devastação de florestas, nem a poluição do meio ambiente, também não chegam ao bolso, o sofrimento de milhares de animais que morrem para satisfazer um capricho humano. Sim, digo um capricho porque se não houvesse fogo e tempero, nenhum ser humano comeria tal alimento.

Infelizmente indústrias nos impõem diariamente que o consumo da carne é bom, mas se olharmos o caminho percorrido por esse alimento, veremos que bom é apenas para quem lucra com o mercado, pois para o consumidor, sobram a obesidade, os problemas circulatórios, hipertensão e muitos outros. Além disso, temos o rastro de destruição ambiental, a fome de pessoas que poderiam estar sendo saciada pelos grãos como a soja, dedicados aos animais de abate, e não liberados a quem realmente precisa.

Sendo vegetariano, contribuímos para tirar o país dessa posição agrária que ele tem mundialmente. Trabalhando o consumo da carne, podemos fornecer subsídios para o Brasil avançar tecnologicamente e ter um grande desenvolvimento, mas dessa vez, um desenvolvimento sustentável, preservando nossas riquezas naturais.

A Floresta Amazônica está, portanto, sendo comida pela população mundial, e se essa floresta desaparecer como os ecologistas prevêem, não haverá como transplantarmos nosso pulmão, pois ele é o único que restou no planeta!

Ser vegetariano não é só uma questão de ética, é uma questão de amor!

Por Íris Renata Duarte Ramos

Fonte: ANDA - Publicado em 03.10.2010

Pessoas negam capacidade de sofrer dos animais para continuar comendo carne

Por Karen Baxter

Paradoxo da carne

Um novo estudo acaba de fornecer evidências diretas de que as pessoas que desejam fugir do "paradoxo da carne" - ao mesmo tempo gostar de comer carne e não gostar de ferir os animais - fazem isto negando que os animais que elas comem tenham a capacidade de sofrer.

Ao envolver-se na negação, os participantes do estudo relataram uma quantidade reduzida de animais com os quais eles se sentem obrigados a demonstrar uma preocupação moral - a escala variava de cães e chimpanzés até caracóis e peixes.

O estudo foi coordenado pelo Dr. Steve Loughnan, da Universidade de Kent, no Reino Unido, juntamente com colegas da Austrália.

Negar origem da carne

Antes desse estudo, os pesquisadores consideravam que as únicas soluções para o paradoxo da carne era simplesmente parar de comer carne - uma decisão tomada por muitos vegetarianos - ou não reconhecer que animais são mortos para produzir carne.

Embora poucas pessoas tenham realmente tal ignorância, alguns comedores de carne podem viver em um estado de negação tácita, incapazes de associar um bife com uma vaca, bacon com um porco, ou mesmo frango frito com um frango vivo.

O Dr Loughnan explica: "Algumas pessoas optam por deixar de comer carne quando descobrem que os animais sofrem para que se produza a carne. A esmagadora maioria das pessoas, contudo, não para de comer carne. Nossa pesquisa mostrou que uma forma que as pessoas usam para continuar comendo carne é relaxando sua preocupação moral com os animais ao se sentar à mesa de jantar."

Abrindo mão da moral

O Dr Loughnan também explicou que, em termos gerais, o estudo mostrou que, quando há um conflito entre a maneira preferida de pensar e a maneira preferida de agir, são os pensamentos e padrões morais que as pessoas abandonam primeiro - em vez de mudar seu comportamento.

"Em vez de mudar suas crenças sobre os direitos morais dos animais, as pessoas têm a opção de mudar seu comportamento," disse ele. "Entretanto, nós suspeitamos que a maioria das pessoas não está disposta a negar a si mesmas o prazer de comer carne, e negar os direitos morais dos animais lhes permite manter-se comendo a carne com a consciência limpa," diz o cientista.

Fonte - Publicado em 04.08.2010

Impactos ambientais da produção de carne

Pecuária e desmatamento; pesca industrial e colapso de espécies oceânicas; aquicultura e destruição de manguezais; suinocultura e poluição de lençóis freáticos; criação de animais para consumo humano e aquecimento global.

Essas e outras relações perigosas estão presentes no caderno “Impactos ambientais do uso de animais para alimentação”, produzido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Com o respaldo de fontes como FAO, ONU, WWF e IBGE, o caderno revela em que medida a produção industrial de carnes compromete a sustentabilidade em nosso planeta.

Baixe gratuitamente o pdf da cartilha, clicando aqui, ou compre na loja virtual da SVB.

Arnaldo Jabor fala sobre carne e meio ambiente

Arnaldo Jabor fala à CBN sobre os problemas causados ao meio ambiente pelo consumo de carne e derivados.

Com seu humor característicos ele põe em pauta um assunto que seria engraçado se não fosse trágico: o pum da vaca.


Fonte: YouTube

Carne vermelha aumenta risco de câncer

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revelou que o consumo de grandes quantidades de carne vermelha ou de carne processada pode aumentar o risco de câncer.

Os cientistas do Instituto Nacional do Câncer americano dizem que um em cada dez casos de câncer de pulmão e de intestino poderia ser evitado se as pessoas diminuíssem a ingestão de carnes, presunto, salsichas e bacon.

Os estudiosos analisaram a dieta e o histórico médico de 494 mil pessoas com idades entre 50 e 71 anos. Aqueles que consumiam mais carne tiveram, ao longo de oito anos, 25% mais chances de serem diagnosticados com o câncer de intestino e 20% mais para o câncer de pulmão.

Em artigo publicado na revista científica PLoS Medicine, os pesquisadores dizem ainda que também foi estabelecida uma ligação entre o consumo de carne vermelha e o câncer de fígado e do esôfago.

Limite

Segundo Amanda Cross, chefe da equipe que realizou o estudo, outras formas de câncer pareceram "não serem afetadas" pela ingestão de carne.

Em outubro, um relatório do Fundo Mundial para Pesquisa do Câncer alertou que a carne vermelha é um dos principais fatores para o aparecimento da doença.

O documento fazia um apelo para que as pessoas parem de comer carne processada e limitem sua ingestão para até três bifes de 170 gramas por semana.

Os cientistas acreditam que a carne vermelha contém substâncias que podem danificar o DNA e assim iniciar o processo cancerígeno. Esses alimentos também são ricos em gordura saturada, que também já foi relacionada ao câncer.

Matéria publicada em 11.12.2007 - Fonte: BBC Brasil

O impacto ambiental do consumo de carne. Entrevista especial com Sérgio Greif e depoimento de Sônia Montaño

Apontado como um dos grandes culpados pelo aquecimento global, a pecuária e o consumo de carne estão sendo cada vez mais debatidos por biólogos, vegetarianos e movimentos sociais. Isso porque é preciso que a população, como um todo, saiba que o consumo desenfreado de carne contribui para a devastação da natureza. A indústria de carne é uma das maiores responsáveis pela poluição da água. Somente os animais criados para o consumo humano nos Estados Unidos produzem uma quantidade de excrementos 130 vezes maior do que a de toda a população mundial. Além disso, a pecuária é uma das maiores consumidoras de água. São necessários de 20 mil a 30 mil litros de água para produzir um quilo de carne, mas apenas 150 litros de água para um quilo de trigo. E mais: a criação de animais de corte é responsável por 90% do desmatamento de florestas tropicais.

Sobre este assunto, a IHU On-Line conversou com o biólogo e mestre em nutrição, Sérgio Greif. Adepto do vegetarianismo desde os cinco anos, Greif fala do impacto ambiental que o consumo de carne produz, das dificuldades que passou para tornar-se vegetariano e sobre os direitos dos animais. “Uma adoção em massa do vegetarianismo é a única solução plausível. O problema não deve se resumir à ‘diminuição do consumo de carne’, até porque a carne é apenas um dos problemas relacionados à pecuária”, contou-nos Sérgio, nesta entrevista, que foi realizada por e-mail.

Complementando a entrevista, a IHU On-Line ouviu, também a jornalista e mestre em comunicação, Sônia Montaño. Sônia é uruguaia, um país consumidor contumaz de carne, mas que depois de um retiro, aderiu ao vegetarianismo. A entrevista e o depoimento foram realizados por e-mail.

Confira a entrevista com Sérgio Greif e o depoimento de Sonia Montaño.

IHU On-Line - Quais são os principais pontos de destaque, no que diz respeito ao consumo de carne em relação ao impacto ambiental?

Sérgio Greif - A carne é responsável por grande impacto ambiental. Áreas naturais (florestas, matas, cerrados, campinas etc.) precisam ser devastadas para a abertura de pastos. Muitas pessoas associam a devastação nas florestas tropicais ao corte de madeira. Na verdade, a contribuição das madeireiras para essa devastação nem se compara à devastação causada pela pecuária, pois as madeireiras selecionam apenas as árvores que interessam para o corte. Já o pecuarista precisa se livrar das árvores indiscriminadamente.

A pecuária sequer é sustentável nesses pastos, pois o gado, com o pisoteio, acaba compactando o solo, impedindo o rebrotamento de plantas e a lixiviação da água. Dessa forma, o solo sofre processos erosivos, o lençol freático deixa de receber importantes contribuições de água, e o solo da superfície acaba sendo arrastados para os corpos hídricos, o que ocasiona em perda de fertilidade e contaminação de águas superficiais. Os pastos abertos logo são abandonados e se transformam em desertos, já que muitas vezes o grau de comprometimento é tal que nem mesmo as florestas conseguem se reestabelecer na área.

A pecuária, quando intensiva, também traz o problema da contaminação por fezes e urina de animais. É que os animais presos sempre fazem suas necessidades no mesmo lugar. Isso contamina o solo e as águas próximas. Esses dejetos raramente são tratados porque implicam em gastos na produção. Outro fator relacionado à poluição é com a geração de gases. Especialmente os ruminantes têm em seu processo digestivo a geração de diversos gases que são expelidos do corpo através da flatulência e da eructação. Esses gases (óxido nítrico, metano etc.) contribuem com o efeito estufa.

Outro fator ambiental relacionado à pecuária diz respeito ao consumo de água. Cada cabeça de gado consome 50 litros de água por dia. Apenas o processo de abate de um bovino consome mais de 1200 litros de água de uma vez. A lavagem de uma única carcaça de frango consome mais de 120 litros de água.

IHU On-Line - Que tipos de soluções o senhor pode apontar para que o consumo da carne seja reduzido no mundo?

Sérgio Greif - Educação. Uma adoção em massa do vegetarianismo é a única solução plausível. O problema não deve se resumir à “diminuição do consumo de carne”, até porque a carne é apenas um dos problemas relacionados à pecuária. A população do mundo deve ser educada a se abster do consumo de todos os tipos de ingredientes de origem animal. A mensagem jamais deve ser para que as pessoas “comam menos carne”. A educação fornecida deve ser completa, de que as pessoas de fato se abstenham de produtos de origem animal. Obviamente, muitas pessoas não se absterão de imediato, mas pelo menos terão recebido a mensagem correta e cada qual trilhará seu caminho na sua velocidade.

IHU On-Line - O senhor é um vegetariano desde os cinco anos de idade. Pode nos contar como foi essa luta, como enfrentar a família e amigos (que não eram vegetarianos) quando tinha tão pouca idade? E como essa luta tornou-se trabalho para o senhor?

Sérgio Greif - Quando adotei o vegetarianismo, eu não conhecia nenhum vegetariano e nem conhecia essa palavra. Simplesmente tomei conhecimento de que a carne era o tecido de animais e, então, embora o gosto me agradasse, decidi que não consumiria mais. A princípio, foi difícil para minha família aceitar, porque na década de 1980 muitos médicos ainda acreditavam que precisávamos de uma quantidade imensa de proteínas para nos desenvolver e manter nossas funções vitais. Minha mãe foi recomendada a esconder carne entre os alimentos e um médico chegou a me mandar comer 500 gramas de queijo branco por dia (uma criança de cinco anos, imagine!). Também precisava tomar um composto manipulado, por recomendação de um endocrinologista.

Obviamente, não fiz nada disso, e então quando fui ao médico, um ou dois anos depois, ele me examinou e perguntou se eu estava tomando o composto. Eu informei que não, e ele reconheceu que eu não teria precisado. Ao longo dos anos, me conscientizei de que, embora naquele momento os médicos fossem autoridades e tivessem ao seu lado a ciência, eles sabiam muito pouco sobre a forma como nosso corpo funciona. A ciência não é absoluta. Surge uma nova pesquisa e então nossas idéias mudam.

Resolvi estudar Nutrição no mestrado porque, embora muitos profissionais de renome defendessem que precisamos nos alimentar de ingredientes de origem animal, eu lia muitos trabalhos que mostravam o contrário. Hoje, vejo que muitos profissionais já mudaram de idéia, mas alguns ainda mantêm a antiga visão.

IHU On-Line – Quais são as principais diferenças entre os direitos dos animais e a vida e o bem-estar dos animais?

Sérgio Greif - Em termos bem simples, alguém que defende que animais têm direitos reconhece que não podemos utilizar animais para quaisquer fins que queiramos utilizá-los. Isso significa que não podemos comer animais, não podemos experimentar em seus corpos, não podemos vestir sua pele e seu couro, não podemos colocá-los para puxar carroças, para nossa diversão ou mantê-los como “brinquedos”. Animais são seres sensíveis e tudo o que fazemos a eles tem o peso daquilo que fazemos a outros seres humanos.

Já alguém que defende o “bem-estar” animal não reconhece que animais possuem direitos. Eles consideram que seres humanos são seres superiores e podem utilizar animais para suas conveniências. Isso significa que podemos comê-los, podemos utilizá-los em pesquisas, podemos matá-los para vestir sua pele e seu couro, podemos submetê-los a trabalhos e podemos possuí-los. Mas eles, ao mesmo tempo, defendem que animais são seres sensíveis e por isso não devemos abusar deles. Assim, eles estabelecem, através de seus próprios conceitos, o que é certo e o que é errado se fazer com um animal. Esses parâmetros não usam o ponto de vista do interesse dos animais, mas sim das pessoas que se sentem agredidas com a visão do que se faz com os animais quando eles são explorados, mas, ao mesmo tempo, não querem tomar nenhuma atitude pessoal para minorar essa exploração.

IHU On-Line - De que forma você propõe o combate à fome a partir do vegetarianismo?

Sérgio Greif - A criação de animais demanda imensas áreas. Mesmo na pecuária intensiva, os animais precisam receber o alimento que foi plantado em grandes extensões de terra. Quando permitirmos aos animais ocuparem tamanha quantidade de terra ou a utilizamos para plantar alimentos que os alimentarão, estamos desviando recursos que, de outra forma, alimentariam seres humanos. Muitas pessoas defendem que isso não é um desvio de recursos porque esses animais são criados para o consumo por seres humanos, mas quando colocamos um intermediário entre nós e os alimentos de origem vegetal, estamos perdendo energia do sistema.

O fluxo de energia ocorre no formato de uma pirâmide. Na base, estão os produtores, os vegetais que são capazes de fazer fotossíntese. No andar seguinte, estão os consumidores primários, que se alimentam desses vegetais. A biomassa, ou seja, a quantidade de matéria viva capaz de subsistir nessa posição, é necessariamente menor do que a do andar abaixo, pois de outra forma haveria fome. Quando a seca se instala em uma região e as plantas morrem, os herbívoros morrem de fome. Num andar acima, nessa pirâmide, estão os consumidores secundários, ou seja, os animais que comem animais. Esses precisam manter uma biomassa necessariamente menor do que a de herbívoros ou de outra forma entram em competição e também morrem de fome.

O que acontece atualmente é que o ser humano quer se posicionar no terceiro andar da pirâmide, no nível de consumidor secundário, tendo os “animais de consumo” no andar abaixo, mas ele, ao mesmo tempo, quer permitir o crescimento indefinido de sua população. Daí as pessoas competirem por recursos, tanta fome etc. A solução que propomos é que a população passe a se alimentar em níveis mais baixos da pirâmide de energia, ou seja, que adotem uma dieta estritamente vegetariana.

IHU On-Line - O senhor concorda com o Programa Fome Zero?

Sérgio Greif - Para concordar com ele eu precisaria entendê-lo. Sou uma pessoa que pensa de uma maneira técnica e não consegui visualizar a técnica que está por trás desse programa. Procurei informações a respeito quando da época das eleições, mas não havia informações sobre isso. Tudo o que havia era que o candidato à Presidência iria acabar com a fome no Brasil, mas não se demonstrou de que forma isso seria realizado.

IHU On-Line - Qual é sua opinião sobre as leis relacionadas aos direitos dos animais no Brasil?

Sérgio Greif - Não existem leis relacionadas aos direitos dos animais no Brasil. As leis que existem são de “bem-estar” animal, e mesmo “bem-estar” precisa ser colocado entre aspas, porque não é bem-estar de fato. Tudo o que temos são leis que estabelecem que o tratamento dado aos animais que submetemos ao nosso jugo devem obedecer a determinadas regras que, no melhor dos casos, amenizam o peso que sentimos em nossa consciência em continuarmos a explorá-los.

As leis que de fato produziram algum efeito positivo para os animais, como a que proíbe a rinha de galo, por exemplo, têm mais relação com a proibição de jogos de azar do que outra coisa. Não é de fato uma preocupação com os galos. De outra forma, galinhada também seria crime. As leis referentes ao tráfico de animais silvestres têm mais relação com o conservacionismo do que com os direitos animais, tanto é que ninguém se importa se uma pessoa comprar um mico-leão para manter em um apartamento, desde que o animal provenha de um criadouro comercial.

IHU On-Line - Certa vez você afirmou que não basta informação para que a conscientização e a mudança de hábitos aconteçam. O que é preciso fazer para que a população diminua o consumo de carne antes que um desastre ambiental catastrófico aconteça?

Sérgio Greif - Eu não me recordo exatamente o contexto em que isso foi dito, mas certamente a informação é apenas um primeiro passo. As pessoas precisam ser sensibilizadas e precisamos deixar de poupar as pessoas, como se elas não fossem parte do problema. Todos nós somos partes do problema. Não adianta, desse modo, tentarmos culpar as madeireiras, o George Bush ou o Mc'Donalds. Nós somos o problema e a solução deve partir de cada um de nós.

Apenas trazer a informação é um pequeno passo, mas a informação tem que se integral e inteligível. “Esse é o problema, essa é a solução.” Simples assim.

IHU On-Line - A saúde das pessoas que comem carne está em perigo?

Sérgio Greif - Muitas pessoas acreditam que a experimentação em animais prejudica os animais, mas que isso beneficia as pessoas. A intenção desse livro é mostrar que, pelo contrário, a experimentação animal traz prejuízos tanto para animais quanto para seres humanos. Apenas se beneficiam os experimentadores e os lobbies que tem interesse na manutenção desse sistema.

IHU On-Line - Além de ser vegetariano, o senhor se mostra radicalmente contra o uso de animais em estudos e em sala de aula. Como foi finalizar sua graduação sem matar um animal?

Sérgio Greif - E quem disse que para a formação de um bom profissional em alguma área da Biologia é necessário matar animais? Isso é algo que foi colocado aí e que todos nós acabamos acreditando, mas de forma alguma isso é verdade.

Confira o depoimento de Sonia Montaño:

O meu depoimento sobre vegetarianismo é despretensioso, já que sou uma “neo-vegetariana”. Tomei a decisão de não me alimentar a partir dos animais aos 39 anos, isto é, dois meses atrás. Comecei a me perguntar sobre isso algum tempo antes, enquanto fazia uma reportagem sobre o tema e entrevistava, para a edição 191 da IHU On-Line (Sônia foi editora da Revista IHU On-Line de 2001 a 2006), com diversas pessoas militantes da causa. Com isso, enxerguei uma porta para pessoas que estão, de alguma forma, se perguntando sempre sobre como viver melhor, como serem mais coerentes com as suas preocupações sociais, mais comprometidas com a sustentabilidade do planeta e, é claro, como serem mais felizes.

Mas ainda estava longe de mudar meus hábitos, já que a correria, o estresse e a urgência por dar conta de um estilo de vida que parece ser obrigatório em nosso mundo ocidental atual me empurravam para aquela alimentação de muita carne, pouco verde, pouca variedade de cores, muito enlatado, e assim por diante. Mas isso tem um limite. Se não somos nós que o damos, o nosso organismo (assim como o planeta) começa a gritar e se comportar de um modo tão estranho que somos obrigados a buscar alternativas. Finalmente, com o que restava de mim desse estilo um tanto suicida de vida, me aproximei de uma espécie de centro vegetarianista, o Instituto Ecumênico Popular L`Amigo, que tinha conhecido através da reportagem.

Estive por dez dias lá. Dias de forte convívio com a natureza (exuberante natureza da Penha, Santa Catarina!) e com uma natureza viva e vivificadora que ingeríamos a cada dia através de alimentos biogênicos (os que geram a vida brotos, germes, grãos) e de uma grande variedade de frutas, verduras e hortaliças, artisticamente preparadas. Quando me perguntam, então, por que sou vegetariana, tenho diversas razões para responder, mas nenhuma delas é definitiva, só o conjunto delas se torna relevante para mim.

Tenho alguns familiares com câncer. Aliás, meu país, Uruguai, é um dos países com maior índice de consumo de carne. O bem-estar que dá comer alimentos vivos é muito grande. É bem diferente encerrar uma refeição “normal” (a base de carne e de mistura de alimentos que apresentam diversas reações negativas e a sensação de satisfação e leveza após um almoço vegan). Descobri que a cultura é muito mais responsável por nossa alimentação do que a natureza. Desde crianças, aprendemos que determinados alimentos são aqueles realmente “gostosos” e desejáveis. Já os “chamados outros” – verduras, hortaliças etc. – são aqueles que, bom... “devemos” comer para ter saúde.

Um outro elemento importante é a vida dos próprios animais e o que as indústrias do agronegócio estão fazendo com eles. Repito que não sou ortodoxa e sempre vai me afetar muito mais profundamente questões como a erradicação do trabalho escravo ou da miséria, por exemplo. Mas usar aquela artificialidade toda para que as galinhas não parem de “produzir”, convenhamos que também não poderia ser catalogado como um ato de extrema humanidade.

Hoje em dia, sou muito mais cuidadosa com o que deixo entrar no meu organismo, entre outras coisas. Isso nos faz mais sensíveis ao cuidado da vida como um todo e nos aumenta a liberdade no meio de um estilo de vida e de uma sociedade bastante programada.

Publicado em 05.11.2007

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

Consumo de carne com hormônio afeta fertilidade

Mães que consumiram grande quantidade de carne de boi tratado com hormônios para fomentar o crescimento do animal podem ter filhos menos férteis, sugere um estudo da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

O estudo, publicado em Human Reproduction, relacionou o uso destas substâncias a danos no espermatozóide humano, ao constatar que os filhos de mulheres que consumiram carne em excesso têm uma possibilidade três vezes maior de ter uma contagem de espermatozóides tão baixa que podem ser classificados como sub-férteis.

O uso de substâncias que promovem o crescimento do gado foi proibido na Europa em 1988, mas, embora os Estados Unidos tenham banido alguns desses produtos em 1979, outros, tais como os hormônios sexuais testosterona e progesterona, ainda podem ser usados na pecuária.

A equipe de Rochester examinou a contagem de espermatozóide de homens americanos nascidos entre 1949 e 1983.

Sete por semana

Ela descobriu que os filhos de mulheres que consumiam mais de sete refeições com carne bovina por semana tinham uma concentração média de espermatozóide de 43,1 milhões por mililitro de fluído seminal.

Já os filhos de mulheres que consumiam menos carne tinham uma média de 56,7 milhões por mililitro.

Entre os filhos de mulheres que comiam uma quantidade excessiva de carne, 17,7% tinham uma concentração de espermatozóide abaixo dos 20 milhões por mililitro considerados sub-fertilidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A porcentagem entre filhos de mulheres que comiam menos carne foi de 5,7%.

A chefe da pesquisa, Shanna Swan, disse que a descoberta sugere que a exposição a substâncias que promovem o crescimento na carne ingerida por filhos dessas mulheres é a causa.

Outros fatores

Mas ela admitiu que a equipe de pesquisa não tinha dados específicos sobre quais as substâncias contidas na carne e que pode haver outras causas para a baixa fertilidade, tais como a exposição a pesticidas e fatores ligados ao estilo de vida não podem ser descartados.

"Teoricamente, o feto e crianças pequenas são especialmente sensíveis à exposição a esteróides."

"Portanto o consumo de resíduos de esteróides em carne por gestantes e crianças pequenas causa preocupação."

Swan disse que, para definir o papel das substâncias que promovem o crescimento dos animais, o estudo deveria ser repetido com homens nascidos na Europa depois de 1988.

Allan Pacey, especialista em andrologia da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, disse que "mesmo que os homens não comecem a produzir espermatozóides até a puberdade, é durante o período no útero da mãe e nos primeiros anos de vida que os testículos desenvolvem sua capacidade de produzir espermatozóides".

"Há anos os cientistas estão preocupados que substâncias que imitam o estrógeno em reservatórios de água, plásticos ou maquiagem possam afetar as etapas críticas do desenvolvimento do testículos de meninos pequenos."

Ele considerou os resultados da pesquisa "alarmantes".

Alastair Hay, especialista em toxicologia ambiental da Universidade de Leeds, disse que uma das falhas do estudo foi se apoiar na memória das mulheres - em sua lembrança do quanto de carne consumiam anos antes, durante a gravidez.

Matéria publicada em 28.03.2007 - Fonte: BBC Brasil

Carne vermelha dobra risco de câncer de mama, diz estudo

Outros estudos já associavam o alimento à doençaUm novo estudo divulgado por cientistas americanos indica que consumir carne vermelha pode quase dobrar o risco de câncer de mama em mulheres que ainda não chegaram à menopausa.

Os pesquisadores do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School, em Boston, examinaram 90 mil mulheres, que preencheram questionários em 1991, 1995 e 1999 nos quais registraram a frequência com que consumiam mais de 130 tipos diferentes de alimentos e bebidas.

As que consumiram uma porção e meia de carne vermelha por dia tiveram quase dobrado o risco de câncer de mama receptor-positivo à presença de hormônios, em comparação com as mulheres que consumiram três ou menos porções de carne vermelha por semana.

O estudo, divulgado na revista médica Archives of Internal Medicine, se soma a outros que já indicavam uma associação entre a ingestão da carne vermelha e o surgimento da doença.

Questionário

Uma porção de carne foi definida como carne bovina, de porco ou de cordeiro ingerida como prato principal em uma refeição, dentro de um sanduíche ou consumida como hambúrguer, bacon, cachorro-quente ou qualquer tipo de carne industrializada.

A cada dois anos, as mulheres pesquisadas relataram se tinham ou não desenvolvido câncer de mama. Os casos foram confirmados pelos cientistas por meio de registros médicos e relatórios de patologia.

No estudo, os pesquisadores verificaram o surgimento de tumores e também se os tumores foram causados por hormônios, como o estrogênio e a progesterona.

No final do estudo, 1.021 mulheres tinham desenvolvido câncer de mama. Foi constatado que 512 desses casos de câncer foram associados à presença de estrogênio e progesterona, 167 não se mostraram associados a estes hormônios, 110 tinham razões diversas e 232, origem desconhecida.

Saúde pública

"Vários mecanismos biológicos podem explicar a associação positiva entre consumo de carne vermelha e o risco de presença do receptor de hormônio de câncer de mama", escreveu um dos líderes da pesquisa, Eunyoung Cho, na revista Archives of Internal Medicine.

Uma hipótese levantada pelos pesquisadores é que produtos químicos causadores de câncer, como a amina heterocíclica, foram encontrados na carne vermelha, industrializada ou não, submetida a um processo de cozimento.

Uma segunda potencial ligação entre carne vermelha e câncer de mama é o uso de hormônios de crescimento injetado no gado em alguns países, como nos Estados Unidos.

Os pesquisadores também afirmam que a carne vermelha é fonte do ferro que compõe a hemoglobina que, segundo pesquisas anteriores, acelera o crescimento de tumores causados por estrogênio.

"Dado que a maioria dos fatores de risco para o câncer de mama não são modificados facilmente, estas descobertas têm potenciais implicações na políticas de saúde pública na prevenção de câncer de mama e deveriam ser melhor avaliadas", escreveu a equipe liderada por Cho.

Publicado em 14.11.2006 - Fonte: BBC Brasil

Carne vermelha pode danificar DNA, diz estudo

O consumo de carne vermelha aumenta as chances de câncerPesquisadores acreditam que uma dieta rica em carne vermelha tem mais chances de causar câncer porque o alimento danificaria o DNA.

O estudo da Open University britânica publicado na última edição da revista científica Cancer Research comparou dietas repletas de carnes vermelhas com vegetarianas.

Estudos anteriores haviam estabelecido a ligação entre o câncer de intestino e a ingestão de grandes quantidades de carne vermelha.

No ano passado, a mesma equipe havia publicado um estudo dizendo que as chances de uma pessoa que come duas porções diárias de carne vermelha adquirir câncer seriam um terço maior do que as de quem come menos de uma porção semanal.

Moderação

No estudo atual, a equipe examinou células de voluntários saudáveis, mas com dietas variadas entre eles.

Eles encontraram um grau maior de dano nas células retiradas de pessoas que comem carne vermelha regularmente.

A equipe acredita que a causa seja a presença de substâncias chamadas composto n-nitroso, formadas no intestino grosso após a ingestão de carne.

Estes compostos se combinariam com o DNA, modificando-o.

O código genético tenderia então a sofrer mutações maléficas, aumentando as chances de câncer.

Os pesquisadores lembram que um terço dos cânceres é causado pela alimentação e que a saída seria uma alimentação balanceada, com boa presença de frutas, verduras e fibras.

Publicado em 01.02.2006 - Fonte: BBC Brasil

Consumo de carne e aquecimento global

Levando em conta a entrevista do dia realizada com o biólogo Sérgio Greif, o sítio do IHU reproduz uma reportagem produzida pelo Jornal do Bem Estar no mês de outubro. Sob o título "Uma outra verdade incoveniente", o jornal trata sobre o consumo de carne e sua relação com o aquecimento global. Confira, a seguir a reportagem intitulada "Alguns dados para você levar em conta" e entenda um pouco mais sobre esse grave problema.

Eis a reportagem.

ALGUNS DADOS PARA VOCÊ LEVAR EM CONTA

- 30% de todo o planeta habitável é pasto.

- 70% de todas as plantações (do mundo) são para a pecuária.

- A pecuária é responsável por 18% de toda emissão de gases nocivos de todo o planeta medida em CO2 equivalente. É o maior poluidor do mundo, superando o transporte.

- A pecuária é responsável por 37% do metado liberado na atmosfera. O metano é 23 vezes pior do que o CO2 em termos de aquecimento global.

- A pecuária é responsável por 65% de óxido nitroso na atmosfera. O óxido nitroso é 296 vezes pior do que o CO2 em termos de aquecimento global.

- A pecuária consome 8% de todos os recursos hídricos do planeta.

- A pecuária é responsável por 1/3 da poluilção das águas potáveis com nitrogênio e fósforo.

- A pecuária é responsável por 55% da erosão da terra, por 37% do uso de pesticidas e 50% de antibióticos (dados dos Estados Unidos).

- De acordo com o Conservation International, das 35 áreas onde a biodiversidade é ameaçada no mundo, 23 têm entre suas causas a pecuária.

- A produção mundial de carne deve ir de 229 milhões de toneladas em 2001 para 465 milhões em 2050.

- A produção mundial de leite deve ir de 580 milhões de litros em 2001 para mais de um bilhão em 2050.

- 64% da população mundial terá escassez de água em 2025.

- Com a água gasta para um quilo de bife, poderia se produzir 227 quilos de tomate.

- Com a terra ocupada para a produção de um quilo de bife, poderia se produzir 122 quilos de batata.

- Usa-se 20 quilos de grãos para cada quilo de bife.

- O rebanho bovino no mundo todo cresceu cinco vezes em 50 anos e hoje soma seis bilhões de cabeças. Há um boi para cada pessoa e todos serão abatidos um dia.

- A criação de gado é repsonsável pelo desmatamento de 93% da Mata Atlântica, 80% da caatinga, 50% do cerrado e 18% da Amazônia.

- Há 35 milhões de cabeças de gado na Amazônia, que tem 22 milhões habitantes. Os bois pastam hoje onde havia floresta.

- 70% das emissões de metano no Brasil são provocadas pelo processo digestivo dos ruminantes.

Publicado em 02.11.2007

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

O consumo de carne e a degradação da Floresta Amazônica. Entrevista especial com Elke Stehfest

Na opinião da bióloga e cientista ambiental holandesa Elke Stehfest, o desmatamento realizado para a agricultura, seja para plantio de alimentos ou para o plantio de pastagens para o gado, é o fator de maior impacto na diminuição da Floresta Amazônica. Na entrevista que concedeu ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU por e-mail, a pesquisadora que trabalha na Agência de Avaliação Ambiental da Holanda, na equipe IMAGE, destaca o “forte efeito da produção pecuária, especialmente criação de gado, sobre o efeito estufa”. Isso é confirmado no estudo que realizaram, acentua. A equipe IMAGE esteve extensivamente envolvida no recente relatório do IPCC e em vários outros estudos e avaliações sobre mudanças ambientais globais.

Stehfest acentua que o consumo mundial de carne precisa ser reduzido, e enumera vários outros motivos para diminuir esse consumo, para além do aumento do aquecimento global. Saúde, conservação da biodiversidade e bem-estar animal são alguns desses motivos.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A dieta do clima proposta pela Agência de Impacto Ambiental da Holanda sugere consumir até 400g de carne por semana. Com isso, a pretensão é que se reduza a emissão dos gases estufa em 10%, já que se diminuiria o número de animais criados. Qual é a viabilidade dessa proposta?

Elke Stehfest – Nós realmente calculamos um cenário com cerca de 400g de consumo de carne por semana e per capita, no mundo todo. Para muitos países desenvolvidos, isso significaria reduzir seu consumo de carne para 2/3. Para alguns países africanos isso na verdade significaria um crescimento comparado com a referência. É difícil dizer algo sobre a viabilidade, e não examinamos isso em nosso artigo. Isso obviamente depende de medidas que devem ser tomadas para que se consiga uma redução no consumo de carne. As possíveis medidas são:

- Informar os consumidores a respeito dos benefícios da redução do consumo de carne para a biodiversidade, clima e para sua própria saúde. Talvez introduzindo rótulos informativos nos produtos;

- Viabilizar alternativas saborosas para a carne. Por exemplo, burgers vegetarianos e molhos;

- Um passo ainda maior seriam medidas para proteger florestas tropicais, colocando um preço no carbono da terra. Nas negociações climáticas de Copenhagen, o mecanismo “Reduzindo Emissões do Desmatamento e Degradação” (“Reducing Emissions from Deforestation and Degradation”, REDD) é discutido como uma medida possível para reduzir emissões. Ambas podem ter um efeito nas áreas usadas para produção de carne e alimento.

IHU On-Line – Quais são as evidências científicas entre a criação dos bovinos e o aumento do efeito estufa?

Elke Stehfest – O forte efeito da produção pecuária, especialmente criação de gado, sobre o efeito estufa é muito bem estabelecido, e novamente confirmado em nosso estudo. Um dos mais bem conhecidos estudos é “A grande sombra da pecuária” (Livestock's long shadow - FAO).

IHU On-Line – Que outros hábitos alimentares humanos vêm interferindo seriamente no clima?

Elke Stehfest – A produção pecuária para carne e leite/laticínios tem mesmo o maior impacto nas emissões de gases de efeito estufa.

IHU On-Line – Nesse estudo, vocês sugerem que se inclua nos rótulos o custo ambiental da carne. Acredita que a população já está suficientemente preparada e mobilizada para esse tipo de alerta?

Elke Stehfest – Alguns governos, como o holandês, também perceberam o grande impacto do consumo de carne. O governo não quer controlar a escolha dos consumidores, mas quer prover todas as informações que os farão ter uma escolha informada.

IHU On-Line – Além do fator ambiental, que outros motivos teríamos para não ingerir carne?

Elke Stehfest – Embora não sejamos especialistas nessas áreas e não examinamos isso em detalhe, afirmo que existem outras razões bem conhecidas pelas quais as pessoas comem menos carne. Saúde deve ser a razão mais importante para a redução do consumo de carne bovina e suína, uma vez que ambas são suspeitas de contribuírem para câncer no intestino e doenças coronárias.

Outras razões ambientais, junto com a mudança climática, são a conservação da natureza e da biodiversidade, isto é, menos desmatamento tropical para a produção de carne e soja. O bem-estar animal é uma das outras importantes razões pelas quais as pessoas tentam comer menos carne ou mesmo sejam vegetarianas.

IHU On-Line – O economista norte-americano Jeremy Rifkin afirma que estamos destruindo a Amazônia para alimentar vacas. Como esse ecossistema vem reagindo a essa investida pecuarista?

Elke Stehfest – O desmatamento para a agricultura, tanto para plantio quanto para pastagem para o gado, é a mais importante razão para a degradação da Floresta Amazônica. Os efeitos desse desmatamento são:

- perda de habitats naturais

- extinção de espécies

- degradação ou erosão dos solos

- efeitos hídricos como aumento de inundações

- problemas na viabilidade de recursos hídricos com menos tamponamento florestal

- desmatamento em larga escala pode causar a morte de ainda mais florestas

- queda das chuvas em áreas de plantio no leste do Brasil (uma vez que as nuvens/chuvas são produzidas sobre a floresta tropical amazônica).

IHU On-Line – Segundo estimativas, para cada 900 kg de alimento produzido, se produz apenas 1 kg de carne. Chegou a hora de revermos nosso padrão alimentar?

Elke Stehfest – Sim, a produção de carne, especialmente a bovina, utiliza uma grande quantidade de investimento, e também investimento de terra em função de alimentar a crescente população mundial. Para conservar os habitats naturais do mundo, o atual consumo de carne dos países em desenvolvimento não pode ser seguido. Ele deve ser reduzido.

IHU On-Line – Para esse mesmo 1kg de carne produzido são necessários de 20 a 30 mil litros de água. Além disso, a pecuária é responsável por 1/3 da poluição de águas potáveis com nitrogênio e fósforo. Pode-se falar em um comprometimento do potencial hidrológico do qual dispomos em função da criação de gado?

Elke Stehfest – Os números do uso de água para a produção de carne bovina parece alto, possivelmente porque inclui a evaporação/transpiração do pasto. Se considerarmos apenas o consumo de água pelo gado da ordem de 4 a 10 litros por quilo de alimentação seca consumida e a conversão de eficiência de 30 a 60 quilos de alimento seco por quilo de carne, o consumo de água é de uma magnitude menor.

No que se refere à poluição das águas superficiais e subterrâneas, não achamos que os problemas são tão graves quanto em países como a Holanda, onde mais gado é criado em estábulos e o esterco é espalhado por áreas relativamente pequenas de terra. Nos estados brasileiros com áreas importantes de criação de gado, os sistemas são geralmente mais extensos. Com lençóis de água profundos e transporte lento de água e nitrato pelo sistema subterrâneo, as chances de ocorrer desnitrificação são grandes. Mas sim, é correto dizer que a produção de carne bovina pode contribuir para a poluição da água da superfície e subterrânea, mas é difícil dizer sem mais informações que essa contribuição é de 1/3.

Por Márcia Junges

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos