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Para alimentar mais 4 bilhões de pessoas basta cortar a carne, o leite e ovos, diz estudo

Trocando as culturas de cultivo de alimentação animal e de biocombustíveis para alimentos que vão diretamente para consumo humano é possível alimentar um adicional de 4 bilhões de pessoas, utilizando a área plantada já existente, diz o estudo.

O hambúrguer artificial testado recentemente em Londres, é anunciado como uma forma de evitar uma crise alimentar iminente, liberando os recursos agrícolas utilizados para alimentar bilhões de cabeças de gado por ano. Outra maneira de evitar a crise é parar de comer produtos de origem animal por completo, de acordo com um estudo recente. Na verdade, "nós achamos que fazer uma mudança radical completa ficando longe da ingestão de animais alimentados com grãos, e parar de produzir biocombustíveis pode aumentar a disponibilidade de calorias para 4 bilhões de pessoas", disse Emily Cassidy, uma pesquisadora do Instituto do Meio Ambiente na Universidade de Minnesota, à NBC News.

O que consomem os veganos?

O que consomem os veganos?
Veganismo é a prática de evitar o sofrimento de todos os animais, que requer a abstenção de todos os produtos de origem animal, tais como carne, peixe, frango, ovos, gelatina, lanolina, lã, pele, seda, camurça e couro. Alguns veem no veganismo a base moral para os ativistas dos direitos animais.

Alimentação

Veganos comem alimentos de base vegetal, como cereais, feijões, legumes, frutas e nozes. Enquanto vegans têm uma grande variedade de alimentos para escolher, a dieta pode parecer muito restrita para aqueles que estão acostumados a uma dieta onívora. “Você só come salada?” É um comentário comum de não veganos, mas uma dieta vegana pode incluir uma grande variedade de massas italianas, curries indianos, burritos, e até mesmo “carne” feita de proteína vegetal texturizada ou feijão.

PETA pede ao Papa que direcione Vaticano para o veganismo

Por Monika Schor

PETA pede ao Papa que direcione Vaticano para o veganismo
A ONG PETA (Pessoas pelo tratamento ético dos animais) enviou uma carta ao Papa Francisco, recentemente eleito, pedindo-lhe que renda homenagem ao seu homônimo, São Francisco de Assis, o Santo Padroeiro dos Animais, abolindo do Vaticano, carnes, ovos e laticínios que tenham sido provenientes de fazendas industriais e que se comece a servir refeições (eventualmente todas) sem carne.

Na carta, PETA destaca que São Francisco considerava os animais como nossos semelhantes, criados todos pelo mesmo Deus. PETA também mencionou ao Papa Francisco que seus dois antecessores, Papa Bento XVI e João Paulo II, condenavam veementemente o abuso de animais.

Google confirma que o veganismo está crescendo

Por Sean Conner

Google confirma que o veganismo está crescendo
Os tempos estão mudando de fato, e as provas de que se alimentar com refeições veganas atingiu o grande público, está em toda parte.

Dez anos atrás, você conseguiria imaginar que pessoas como Bill Clinton, Mike Tyson, e Michelle Pfeiffer estariam falando sobre os benefícios de escolher os alimentos veganos (sem nada de origem animal), para não mencionar a recente apresentação com Justin Timberlake fantasiado como um bloco tofu dançante e cantante, falando sobre a ética e de diversão vegana no famoso programa americano Saturday Night Live.

Campeã de ciclismo relata os benefícios do veganismo

Campeã de ciclismo relata os benefícios do veganismo
Meu nome é Christine Vardaros. Ciclista profissional e vegana há 12 anos, vegetariana há 22, escrevo sobre esporte, boa forma, saúde e nutrição para várias revistas e websites.

Também trabalho como porta-voz para a ONG IDA (In Defense of Animals), que defende os direitos de todos os animais – de gorilas a cães – e represento o Physician’s Comittee for Responsible Medicine (PCRM), uma organização médica que faz campanhas variadas (desde o fim de testes em animais até merendas escolares mais saudáveis para crianças na escola).

Veganismo

veganismo
Veganismo é o modo de vida que busca eliminar toda e qualquer forma de exploração animal, não apenas na alimentação, mas também no vestuário, em testes, na composição de produtos diversos, no trabalho, no entretenimento e no comércio. Veganos opõem-se, obviamente, à caça e à pesca, ao uso de animais em rituais religiosos, bem como a qualquer outro uso que se faça de animais. Veganos são, portanto, vegetarianos que excluem animais e derivados não apenas de sua dieta, mas também de outros aspectos de suas vidas.

Telejornal da Rede Globo Minas destaca veganismo

Um dos telejornais mais importantes de Minas Gerais, o MGTV, convidou um nutrólogo para falar sobre veganismo.

Clique aqui e veja como foi.

Fonte

Dia Mundial Vegano

Dia Mundial VeganoO dia 1 de novembro é marcado pelo Dia Mundial Vegano (World Vegan Day, em inglês), que é comemorado desde 1994, quando a Vegan Society da Inglaterra comemorou 50 anos de criação.

Motivos não faltam para comemorar, pois a cada dia que passa aumenta o número de veganos em todo o mundo. Por outro lado, sabemos que há ainda um grande caminho a ser percorrido nesse processo de conscientização. O Cantinho Vegetariano espera contribuir pelo menos um pouquinho para que isso aconteça!

Palestra: Gary Yourofsky fala sobre veganismo

Palestra: Gary Yourofsky fala sobre veganismo
Palestra inspiradora de Gary Yourofsky, na íntegra, sobre direitos animais e veganismo, realizada na Universidade Georgia Tech, nos EUA, no verão de 2010.

Ouça a esse sensacional palestrante que vai desmitificar mitos, inundar sua mente com fatos interessantes e ajudá-lo a fazer escolhas éticas para ter um coração e uma alma mais saudáveis.

Seu estilo carismático de discurso é único e tem de ser visto por qualquer um que se preocupe com animais ou que deseje transformar o mundo um lugar melhor.

Fundador do Twitter cozinha prato vegano na TV americana

Biz, Stone, fundador do Twitter, cozinha prato vegano na TV americanaBiz Stone, o fundador vegano da rede social Twitter, foi convidado de Martha Stewart em seu famoso programa de televisão.

Os dois cozinharam juntos uma versão vegana de um prato chamado Seitan Bourguignon (um tipo de cozido com vinho) e se divertem muito no processo.

Biz Stone se tornou vegano há uma década depois que visitou um santuário de animais que teriam terminado em um matadouro.

Durante o programa um espectador manda uma mensagem pelo Twitter perguntando se foi difícil se tornar vegano e ele responde que não.

Para assistir ao vídeo (em inglês), visite a página de Martha Stewart.

Fonte - Publicado em 10.04.2011

Médico garante que o veganismo é uma prática saudável

Churrasco vegano
Falar em abolir o consumo de carne na terra do churrasco pode até soar como um insulto, mas é o que algumas pessoas estão fazendo. São os adeptos do vegetarianismo, um grupo que vem crescendo nos últimos anos a ponto de virar tema de estudo de especialistas. Em uma das mais recentes obras sobre o assunto, Vegetarianismo e Ciência, o cardiologista e nutrólogo Julio César Acosta Navarro, com 20 anos de sua carreira dedicados a descobrir os efeitos da dieta livre de produtos de origem animal no organismo, garante que abolir a carne das refeições não oferece qualquer prejuízo à saúde. Para Navarro, o ser humano não nasceu para ser carnívoro.

Veganismo vem ganhando adeptos

Domingo, hora do almoço. Eis o momento mais popular nas churrascarias. E como brasileiro adora carne. Entre porções de frango, porco e boi, o consumo per capita nacional ultrapassa 75 quilos por ano. De tão habituados a esse estilo de vida, nem dá para imaginar como seria abrir mão dessas delícias, certo?

Pois saiba que a cada ano aumenta o número de pessoas que apostam no prazer longe da carne. Segundo pesquisa do Instituto Ipsos, 28% dos brasileiros “têm procurado comer menos carne”. É o segundo maior índice mundial, próximo ao canadense e maior que o britânico. Fica atrás apenas do registrado nos Estados Unidos, onde os hambúrgueres são uma das maiores fontes de doenças cardiovasculares e sentimento de culpa.

“Diabetes, hipertensão e colesterol são doenças que marcam a contemporaneidade. Deixar de consumir alimentos de origem animal e seus derivados auxilia em primeiro lugar na redução da ingestão de gorduras saturadas e colesterol, o que previne doenças como a obesidade e problemas cardíacos”, defende Yuko Ono, mestre em Ciências da Nutrição pela Loma Linda University, e professora de nutrição da UFPA.

Além de cuidado com a própria saúde, há outras razões que motivam tanta gente a mudar o que coloca no prato. Desde os 16 anos, a psicóloga Shaula Collyer abriu mão do bom e velho bife, adotando uma dieta de mariscos. Hoje, aos 32 anos, vegetariana há nove, radicalizou mais ainda seu modo de vida e aboliu o consumo de qualquer produto derivado de animais. “Tomei essa decisão depois de ler o livro ‘Animais, nossos irmãos’. Pela primeira vez ouvi dizer que não precisamos de nenhum tipo de carne para viver com saúde plena, que é desnecessário explorar, confinar, torturar e assassinar animais. Até então, eu nem pensava a respeito, pois parecia algo ‘inevitável, necessário à sobrevivência humana, a lei da natureza’, e tantas outras bobagens convenientes que aprendemos desde a infância”, diz.

Ao extremo

Essa filosofia de vida se chama veganismo, uma espécie de evolução do vegetarianismo. No Brasil, a maior comunidade do Orkut sobre o assunto reúne mais de 18 mil adeptos. Os veganos, além de não comerem carne, rejeitam qualquer produto que explore animais. Nada de couro, mel, penas, lã, seda, peles, ou cosméticos que usaram bichos em testes. “Comprar animais, nunca. Adotamos. Não há porque comprar um amigo, já que há tantos animais saudáveis que são assassinados diariamente pelo Centro de Zoonoses porque não há espaço para abrigá-los”, diz Collyer. “Não vamos a rodeios, vaquejadas, rinhas, touradas, circos com animais ou zoológicos”, completa Flávio Oliveira, 35 anos, bancário, vegano desde 2009, e participante do grupo Vegetarianos em Movimento, VEM.

Atualmente, o VEM, sediado em Belém, reúne 10 membros. Ativista, o grupo se dedica a promover eventos de conscientização sobre os males da exploração de animais. Além de atividades aos domingos, na Praça da República, colaboram com entidades de defesa de animais. “Entendo que posso sobreviver neste mundo sem ter que explorar, matar ou torturar outros animais, seja por necessidade ou prazer. O homem não tem o direito de rebaixar nenhum ser vivo e nem se sentir superior a nenhum deles”, sintetiza Rodrigo Briveira.

Além do respeito à vida animal, aspectos ambientais reforçam o discurso vegano. A lógica é matemática. “Para produzir cada quilo de soja, são necessários em média 2 mil litros de água. Por outro lado, para produzir cada quilo de carne bovina são necessários cerca de 43 mil litros de água”, contabiliza Sérgio Greif, biólogo da Unicamp e co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação”.

“A fome só existe porque cerca de 25% dos grãos cultivados no mundo são utilizados na alimentação do gado”, defende. “Pensar criticamente sobre nossa postura como consumidores é fundamental”.

Adotar o veganismo requer um bocado de informação. A mudança alimentar não deve ser feita de forma abrupta, mas tirar a carne do cardápio não representa qualquer dano à saúde.

“Recomenda-se uma mudança gradativa sob a orientação do nutricionista, introduzindo alimentos substitutos aos poucos. Se a mudança for feita de forma correta, realizando combinação de alimentos de origem vegetal que resulte no consumo de proteína completa, associado ao consumo de alimentos de outros grupos que fazem parte de uma dieta vegetariana, deixar de comer carne não acarretará em nenhum prejuízo para o funcionamento do corpo” diz a nutricionista Yuko Ono.

Há ainda quem argumente que o consumo de carne foi um passo fundamental na evolução da espécie humana, e que, portanto, eliminá-la da dieta seria um equívoco. “Atualmente, quando se analisa a constituição anatômica e fisiológica do sistema digestivo humano, em especial a dentição e a anatomia do intestino grosso, percebe-se que a alimentação cárnea não é a mais adequada para nós. O consumo da carne tem causado para a humanidade, no decorrer dos séculos, o aumento da incidência de doenças crônicas como obesidade, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças renais, câncer”.

Manter uma dieta vegana já parece não ser nenhum bicho de sete cabeças. A popularização do estilo de vida resultou no surgimento de um número cada vez maior de restaurantes e livros de receita verde. “Em Belém, há restaurantes como o Mãe Natureza, Govinda e Cantina Oásis”, enumera a nutricionista. Quanto ao receio de o custo do consumo de alimentos integrais e orgânicos pesar no orçamento, Yuko esclarece que o barato, em se tratando de saúde, pode sair caro.

“Em relação ao preço dos alimentos mais saudáveis, como por exemplo, os alimentos integrais, frutas, hortaliças, leguminosas, castanhas e nozes, são mais altos, de fato. Porém, se for analisar por um outro ângulo ou a longo prazo, pode se tornar mais econômico, pois uma alimentação saudável aliada a outros hábitos saudáveis previne uma série de doenças e dá um ganho enorme na qualidade de vida, evitando gastos médicos e principalmente com remédios, que em geral são ainda mais caros”.

Fonte - Publicado em 20.03.2011
Foto by Sandra Guimarães, do Papacapim

O vegetarianismo e o veganismo são os primeiros passos para a sustentabilidade

A carioca Natália Chede é nutricionista e vegana. Formada pela universidade Santa Úrsula no Rio de Janeiro, ela cursa especialização em nutrição clínica funcional.

Sua preocupação com os aspectos éticos, de saúde e, em especial, de sustentabilidade relacionados à alimentação, levaram-na a fazer parte da SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira, onde integra o Departamento de Medicina e Nutrição e coordena o Departamento de Culinária.

Morando atualmente em Curitiba, atende pacientes em programas nutricionais, ministra cursos de culinária e palestras em diversos eventos, além de ser uma das idealizadoras da primeira Feira Vegetariana de rua do país. Mas ela faz mais do que só promover o veganismo. Ela pratica a sustentabilidade pois entende que é possível ser sustentável e se alimentar sem exploração animal, com reduzido impacto ambiental e de forma saudável.

A cozinha e a área de serviço do apartamento da nutricionista são exemplos de atitudes sustentáveis e de baixo custo. Lá são cultivadas hortaliças orgânicas, são germinadas sementes, há embalagens e sacolas reutilizáveis para as compras, preferência absoluta por alimentos orgânicos e a mais nova aquisição tecnológica: uma composteira para lixo orgânico, que atualmente já é uma realidade em vários países da Europa e que é fator fundamental para a solução dos resíduos sólidos nos centros urbanos.

Natália desenvolve pesquisas sobre alimentação e sustentabilidade que pretende publicar em livro e fará palestra no 2º Salão Vegetariano de São Paulo. Ela também é presença confirmada entre os palestrantes do 12th International Vegan Festival, que acontecerá na PUC-Rio, entre os dias 22 e 25 de julho deste ano. O evento reunirá grandes nomes da causa vegana do Brasil e do mundo.

Nesta entrevista exclusiva à jornalista Cynthia Schneider, da ANDA, ela fala sobre seu interesse pelo veganismo, a sustentabilidade ambiental e os efeitos da opção alimentar para a saúde humana.


ANDA – Como começou a se interessar pelo veganismo?

Natália Chede – Eu optei pelo vegetarianismo quando li um livro sobre a vida sentimental dos animais. Mas na faculdade de nutrição havia uma pressão enorme para o contrário. Eu fiquei insegura até que comecei a participar de congressos sobre o tema. Fui ao Congresso Mundial de Vegetarianismo em Santa Catarina e depois ao I Congresso Vegetariano em São Paulo, em 2006, onde tomei contato com a SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira. Até este momento o vegetarianismo era uma escolha só minha. Foi a partir destes eventos que eu vi que poderia trabalhar nesta direção. Comecei a fazer contatos com a SVB e virei vegana. Porque chega uma hora em que, se você é vegetariano pelos animais, não tem mais desculpa. É incoerente não se tornar vegano. Depois eu vim para Curitiba, procurei o grupo da SVB, comecei a participar das reuniões e colaborar na realização de atividades para divulgação do vegetarianismo.

ANDA – Como surgiu seu interesse pelo tema veganismo e sustentabilidade?

Natália Chede – Meu interesse maior surgiu quando eu tive contato com a permacultura e com as ideias de agroecologia. Eu já sabia o que era, mas não era algo presente na minha vida. Depois que eu conheci isto, vi que é algo para o nosso dia-a-dia. O discurso comum sobre defender a Amazônia, por exemplo, faz aquela separação entre a pessoa e o meio ambiente. Eu comecei a perceber que o vegetarianismo e o veganismo eram apenas o primeiro passo. Até porque é possível ser vegano e não necessariamente ser sustentável. Ser vegano contribui com uma parte, mas tem muitas outras intervenções que você pode fazer. Eu não digo também que eu faço todas. Eu descobri com a permacultura que o veganismo é apenas um passo. Há toda a questão do lixo, do lixo orgânico, lixo não orgânico, tudo isso. Na verdade o veganismo é uma maneira de viver de forma mais sustentável, mas não é a única.

ANDA – As pessoas estão mais conscientes sobre o impacto do consumo alimentar no meio ambiente?

Natália Chede – Acho que ainda estão muito pouco conscientes na questão da alimentação. As pessoas estão mais conscientes do impacto que a gente faz no meio ambiente, mas ainda dificilmente relacionam isto com a alimentação. A gente sempre vê alguém comentando sobre meio ambiente, sobre aquecimento global, mas é muito difícil alguém comentar sobre os hábitos alimentares. E isto é algo que as pessoas têm que mudar primeiro, porque é algo que a gente faz todo dia, três vezes por dia. A alimentação envolve muita coisa, que vai desde o que você come até o destino que você dá ao lixo. As pessoas não prestam muita atenção na cadeia do alimento, como ele chega até a mesa, eu não vejo muito esta consciência não. O que está melhorando um pouco é na questão da saúde, há uma preocupação maior do impacto da questão alimentar, mas não na relação entre alimentação e meio ambiente. Esta é justamente a proposta que faço com a minha pesquisa: como alguém pode ter um corpo saudável se contribui para algo que está destruindo e adoecendo o planeta?

ANDA – O que as pessoas podem ou devem fazer para diminuir o impacto ambiental da alimentação?

Natália Chede – Basicamente a pessoa deve ter uma alimentação vegana. Mas se você tem uma alimentação vegana e só se alimenta de produtos industrializados que geram lixo, e muito lixo contaminado inclusive, além de fortalecer as monoculturas, também não estará sendo sustentável. É importante consumir alimentos orgânicos, reduzir o consumo de produtos industrializados, consumir o máximo possível de produtos orgânicos e locais. Além disso, é importante saber aproveitar bem os alimentos todos, como a casca de banana. Ser responsável com a variedade de alimentos que se come também é um caminho para a sustentabilidade. A mania de comer uma quantidade imensa de produtos diferentes na mesma refeição gera um desperdício enorme. A gente precisa ter uma variedade na alimentação, mas ao longo dos dias, não tudo no mesmo prato, na mesma refeição.

ANDA – Por que alguns médicos e nutricionistas resistem à adoção de uma dieta vegetariana estrita? Há necessidades nutricionais humanas da manutenção da exploração animal para a alimentação?

Natália Chede – Na verdade isso é uma coisa que eu ainda não consegui entender. A informação existe e está disponível. Se eles pesquisarem vão encontrar, porque não tem restrição de informação sobre o assunto. Eu acho que o problema é cultural. As pessoas simplesmente não se interessam em estudar. Geralmente quem é vegetariano é por algum motivo. Quem não é não tem comprometimento maior com sua forma de consumo. Uma vez eu participei de um debate numa rádio universitária e tinha um pessoal acompanhando a entrevista do lado de fora e que podia fazer perguntas. Um garoto disse o seguinte: “Vocês vegetarianos são uns hipócritas. Falam em defender um animal, mas comem lá a alface, a planta”. Eu disse o seguinte: “A gente respeita todas as formas de vida, mas você tem que entender que não é a mesma coisa”. Perguntei se ele tinha um animal de estimação e ele tinha um cachorro. Acrescentei: “Olha, em vez de criar um cachorro, porque você não cria uma alface? É a mesma coisa. Quando você chegar em casa a alface vai te amar, vai querer brincar com você”. Aí todo mundo que achava que era a mesma coisa reconheceu, nessa hora, que não é a mesma coisa. A pessoa é capaz de achar que feira de mudinhas de alface é como feira de adoção de animais…

ANDA – Há evidências e comprovações de problemas causados à saúde humana quanto ao consumo de leite e ovos?

Natália Chede – Não há restrição alguma à dieta vegetariana, com exceção da vitamina B12. E esta não é uma questão que está relacionada ao veganismo. Está relacionada ao nosso estilo de vida. A bactéria que produz a B12 vive no solo, e por esta razão os animais têm B12: porque eles comem as bactérias do solo. Daí produzem B12 no intestino, que estará presente nas fezes. O estilo de vida que as pessoas têm, sem acesso ao alimento, favorece a carência da B12. O alimento está lá no mercado, é esterilizado, a gente chega em casa e esteriliza de novo, não há mais contato com as bactérias. O problema não é o veganismo em si. O ser humano pode ser vegano. Só que o estilo de vida complica. Aí uma solução moderna para um problema moderno é a suplementação. E isto depende da pessoa. Tem gente que precisa da suplementação, tem gente que não precisa. Fora esta questão da B12, não existe nada que tenha que vir do reino animal que tenha de compor a alimentação. Sobre a questão da alimentação infantil, não precisa nem estudar, basta observar. Como povos como os indianos estão vivos? E a gente vê muito ainda a recomendação de médicos sobre o leite. Há muitas evidências e comprovações de prejuízos à saúde humana sobre o consumo de leite. E isto só do ponto de vista nutricional, sem considerar a questão óbvia de que o leite de outros animais não é um leite da nossa espécie. Hoje, a maioria das pessoas já tem algum grau de intolerância à lactose, pois não é um alimento adequado. Hoje em dia tem até evidências mostrando a introdução precoce do leite de vaca na alimentação com o desenvolvimento do diabetes tipo 1 em crianças. Muitos artigos científicos tratam deste tema. E isto acontece porque a proteína do leite é alergênica. O corpo do bebê não está adaptado para esta proteína, que é uma proteína muito grande, até molecularmente. Então o organismo passa a atacar esse elemento estranho. As células do pâncreas, que produzem a insulina, têm uma similaridade com esta proteína do leite. E aí o organismo passa a atacar até o próprio pâncreas, que produz insulina, e acaba por desencadear o diabetes. Quanto aos ovos, tirando a ética de campo, o grande problema é a contaminação por químicos e antibióticos. O ovo orgânico não faz mal nenhum à saúde. A associação com o colesterol é bobagem porque 70% é produzido no próprio organismo. Mas, claro, revendo uma postura ética, não devemos esquecer que um ovo é o óvulo da galinha.

ANDA – Uma dieta livre de ingredientes animais (carne, leite e ovos) pode ser adotada por qualquer pessoa, independentemente da idade?

Natália Chede – Sim, com certeza. Desde a gestação à velhice, passando por atletas. No site da ADA – Associação Dietética Americana, é possível encontrar diversos pareceres, um deles específico sobre a dieta vegetariana. Este documento mostra que a dieta é adequada em todos os ciclos da vida para a saúde. O departamento técnico da SVB fundamenta-se muito neste parecer. É ridículo um médico dizer que uma pessoa precisa comer carne. Eu não tenho mais nem vontade de discutir esta questão. Como pode tanta gente que vive sem comer carne e alguém dizer que é necessária? Não é.

ANDA – Quais as vantagens para a saúde de uma dieta vegana em comparação com a dieta onívora?

Natália Chede – A dieta vegetariana é muito mais saudável, sem gorduras saturadas, tem muito mais fibras, além de muito mais antioxidantes, que você só encontra em vegetais. Quem opta por consumir carne ou leite, está deixando de comer algum alimento vegetal que daria um aporte de antioxidantes muito maior. A maioria das doenças é causada, direta ou indiretamente, pela falta destes componentes no organismo. O leite é responsável ainda por problemas alérgicos e respiratórios. Eu tenho um grande exemplo disso no consultório. A maioria dos meus pacientes com rinite alérgica são grandes consumidores de leite. Doenças como a artrite também estão relacionadas com o consumo de laticínios e gorduras animais, que são gorduras inflamatórias, ao contrário das gorduras vegetais. Os problemas de saúde que mais matam atualmente são as doenças cardiovasculares, o câncer, o diabetes. Tudo isto é deflagrado pela alimentação rica em ingredientes animais. Nem tem mais o que discutir isso. Veja o próprio caso da obesidade. Qual é o médico que vai recomendar comer menos vegetais?

ANDA – Qual sua perspectiva com relação à tomada de consciência das pessoas sobre alimentação e sustentabilidade?

Natália Chede – As pessoas querem coisas para si próprias e para o mundo, mas não agem de acordo. As pessoas são violentas nas suas relações, se alimentam de forma violenta. Dou um exemplo sobre o que acontece com muitos ambientalistas hoje. Querem defender a Amazônia, mas comem a carne que vem da Amazônia. As pessoas ainda esperam que a solução venha de fora. Precisam parar de olhar para o próprio umbigo e fazer tudo só para o seu próprio bem. Hoje mesmo eu ouvi uma referência de uma pessoa dizendo: “Olha só o que eu fiz!”. Na minha cabeça veio logo uma imagem de uma onda imensa e alguém lá de cima falando: “Olha só o que eu fiz”. Ainda não parece que as pessoas entenderam que tudo que fazem uma hora vai voltar para elas.

Fonte - Publicado em 28.02.2011

O desafio vegano de Oprah Winfrey

O desafio vegano de Oprah Winfrey
Ontem foi ao ar nos EUA o programa de Oprah Winfrey em que ela falou sobre a experiência de seguir a dieta vegana durante uma semana.

O Desafio Vegano incluiu 378 pessoas da sua equipe, sendo que 300 o fizeram até o fim do período. De acordo com o que foi apresentado, esses funcionários perderam um total de 202 kg durante a experiência.

Segundo a imprensa americana, Oprah tratou o assunto de uma forma bastante positiva, possivelmente inspirando novos adeptos para a dieta que exclui ovos, leite e qualquer outro derivado animal da dieta. Outra novidade anunciada por Oprah foi que a Hapo - sua empresa multimídia - adotará a campanha 'Segunda Sem Carne' em seu restaurante interno, onde toda segunda-feira serão servidas apenas refeições livres de carne aos funcionários.

No palco com a apresentadora estavam a escritora vegana Kathy Freston, que lançou recentemente o seu livro "Veganist" e Michael Pollan, um estudioso contrário as fazendas que criam gado e outros animais e autor dos best sellers "O Dilema do Onívoro" e "Em Defesa da Comida". Não há previsão de quando esta edição do programa será exibida no Brasil, mas quem quiser mais detalhes e ver uma prévia, pode acessar o site oficial (em inglês).

O fato de Oprah levar a sua experiência pessoal com a dieta vegana ao programa, é de extrema importância, considerando a enorme influência e credibilidade que ela tem no mundo todo.

No ar há 25 anos apresentando um programa diário onde debate diversos temas - desde nutrição, celebridade, até polêmicas como prisões, assassinatos -, Oprah anunciou que deixará de exibir o seu The Oprah Winfrey Show neste ano.

Por Elaine Martin - 02.02.2011

Com informações de Vida Vegetariana

Veganismo é tema no programa de Oprah Winfrey

Veganismo é tema no programa de Oprah Winfrey
Oprah Winfrey, famosa apresentadora de TV e uma das mulheres de maior influência nos EUA, terá o veganismo como tema de seu programa, exibido hoje, dia 01 de fevereiro.

Oprah e 378 funcionários de sua equipe, aceitaram o desafio de adotar o estilo de vida vegano durante uma semana. A iniciativa se chama The Vegan Challenge (Desafio Vegano).

No palco com a apresentadora, estarão também Michael Pollan, autor dos best sellers "O Dilema do Onívoro" e "Em Defesa da Comida" e Kathy Freston, que mostrará ao público sua mais recente obra - Veganist: Lose Weight, Get Healthy, Change the World. O título do livro descreve o estilo de vida da autora que mostra o veganismo como a chave para a perda de peso, uma vida mais saudável, refrear as mudanças climáticas e acabar com o sofrimento animal.

Ainda nesta terça-feira, a jornalista Lisa Ling levará a legião de fãs de Oprah, aos bastidores de um matadouro, para mostrar exatamente o que as pessoas estão colocando em seus pratos e corpos.

Não é a primeira vez que Oprah lida com o veganismo. Na última vez que Kathy Freston esteve sem seu programa, em 2008, ela embarcou em uma dieta vegana durante 21 dias e disse que, na época a experiência a fez pensar mais em seu bem-estar do que nas calorias. Infelizmente, apesar dos benefícios ela retornou ao onivorismo.

Será que agora ela adota de vez a dieta vegana? Esperamos que sim.

Por Elaine Martin

Para saber o resultado da iniciativa, acesse O desafio vegano de Oprah Winfrey

Mais pessoas estão se tornando veganas após saberem a verdade sobre a indústria da carne

Um novo estudo da Universidade Estadual do Kansas provou que os americanos estão se convertendo ao veganismo graças à exposição da indústria da carne pela mídia. E não, eles não estão sofrendo lavagem cerebral nem influências malignas, estão apenas conhecendo como a comida chegou aos seus pratos e, convenhamos, é meio difícil engolir a realidade.

Glynn Tonsor, que ensina economia agrícola e mercado de animais na universidade do Estado do Kansas, e Nicole Olynk, que ensina economia agrícola na Universidade Purdue, conduziram o estudo. Eles fizeram uma pesquisa extensa, que retomava desde 1980, da cobertura da mídia a respeito da produção de carne, e compararam com coberturas da indústria leiteira ou de ovos.

O que eles encontraram foi um tanto inesperado. Primeiro, a importância da mídia em relação à produção de carne decolou ao longo dos anos. Agências de notícias são, em geral, empreendimentos não lucrativos, e isso significa dar ao público o que ele quer. Então, pode-se interpretar o aumento no número de matérias sobre indústria da carne como aumento da consciência do consumidor.

E, se esse for o caso, os consumidores não gostam do que estão descobrindo. Essa foi a segunda descoberta de Tonsor e Olynk. Eles puderam fixar números concretos do efeito da cobertura da mídia no consumo de carne, e, seguindo a lógica deles, as investigações apontam para uma queda de 2,65% no consumo de porcos mortos e de 5,01% de ovos.

Isso leva à terceira descoberta do estudo. Os efeitos diretos da cobertura da mídia parecem estar ligados diretamente ao consumo de porcos e ovos. Existe, entretanto, um efeito indireto. Falando de forma geral, quando um consumidor decide não comprar, digamos, porco, ele não dá esse dinheiro a outra indústria cruel. Então, de certa forma, mostrar a realidade na mídia afeta todo o comércio de carne.

Por Giovanna Chinellato - Publicado em 23.09.2010

Com informações de Animals Change - Fonte: ANDA

Você sabe o que é ser vegano?

Muitas pessoas ainda não conhecem este termo. É uma palavra relativamente nova e que não consta na maioria dos dicionários. Veganismo é uma filosofia de vida, e vegano, quem a segue no seu dia a dia.

Para começar podemos dizer que veganos são vegetarianos. Você sabe o que é ser vegetariano. Vegetarianos não comem carne. Existem algumas motivações para tornar uma pessoa vegetariana. Alguns são vegetarianos por questões de saúde. Outros por questões religiosas. Algumas pessoas por terem nojo de carne. Alguns por terem piedade dos animais.

Os veganos têm outra motivação. Os veganos reconhecem que os animais têm direitos. Principalmente direito à vida e à liberdade. Para serem coerentes com este princípio, os veganos são contra a exploração dos animais, seja para quaisquer fins. Portanto, contra a utilização dos animais como comida (carne, leite, etc), vestuário (casacos de pele, sapatos e cintos de couro), diversão (rodeios e circos), experiências científicas, comércio de animais, etc.

Os veganos acreditam que o planeta existe para os homens e para os animais, e que é possível para a humanidade seguir seu curso sem explorar as outras espécies. De certa forma comparam o especismo (atitude tendenciosa de alguém a favor dos interesses de membros de sua própria espécie e contra os de outras) ao racismo e ao sexismo.

O veganismo não é apenas um movimento de defesa dos direitos dos animais. Ele também tem reflexos em outras áreas da nossa vida.

Na nossa saúde: apesar de muitas pessoas acreditarem que nosso corpo necessita de alimentos de origem animal, a realidade é exatamente o oposto. Muitas doenças cardíacas, vasculares, dermatológicas e alérgicas estão relacionadas à ingestão de carnes, gorduras e leite. Veganos e vegetarianos estatisticamente são mais saudáveis que onívoros.

No meio ambiente: existe uma relação importante entre o consumo de carne e a devastação do meio-ambiente. As últimas florestas como a Amazônia, são devastadas para virar pasto, ou para plantar soja para fazer ração para alimentar milhões de cabeças de gado. Os gases emitidos pelo metabolismo destes ruminantes contribuem significativamente para o efeito estufa e o aquecimento global, e a uréia dos seus excrementos contamina o solo e os rios. A água doce cada vez mais escassa é utilizada abundantemente na criação industrial.

No combate à fome: uma tonelada de vegetais para alimentar as pessoas equivale a uma tonelada de alimentos, porém uma tonelada de vegetais para alimentar o gado vai se transformar em menos de 200 quilos de carne, ou seja, desperdiçamos 80% deste alimento para convertê-lo em carne, o que é extremamente ineficiente para um planeta com milhões de pessoas passando fome. Se todos fossem vegetarianos poderíamos ter cinco vezes mais alimentos disponíveis e ainda preservar nossas últimas florestas.

Portanto, ao se tornar um vegano, você contribui com os animais, com sua saúde, com o planeta e o meio ambiente. Pense nisso e leia mais sobre o assunto.

Por Wilson Grassi - Médico veterinário, vegano, autor do livro Seja Vegano

Fonte: www.wilsonveterinario.com.br